
Se há um detalhe que merece elogios na Copa de 1998, na França, certamente é a organização. Um ano antes da disputa, em junho de 1997, o comitê responsável pelo Mundial, presidido por Michel Platini, realizou um torneio para testar a infraestrutura montada para a competição.
Enviado pela Gazeta do Povo, tive a oportunidade de verificar como um país ganha credibilidade ao assumir a responsabilidade de ser a sede de um dos eventos esportivos mais importantes do planeta. Tudo funcionou perfeitamente. Mesmo faltando 12 meses para a Copa, os estádios estavam impecáveis o Estádio da França, que foi construído especialmente para a final do torneio, dependia apenas de alguns detalhes para ser inaugurado, o que ocorreu janeiro de 1998. Os centros de imprensa nos estádios já funcionavam e o esquema especial de transporte e de orientação para turistas estava montado.
O palco perfeito, no entanto, só serviu para decepções aos brasileiros. Quatro seleções disputaram o Torneio da França (em francês, Tournoi de France): Brasil, Inglaterra, França e Itália. A seleção brasileira chegou à última rodada já sem chances de ficar em primeiro lugar.A equipe convocada por Zagallo poderia não ser a dos sonhos, mas tínhamos um grupo de jogadores experientes e consagrados. Vários dos maiores craques do mundo estavam no time. Basta citar Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo, Dunga, Cafu e Romário, que foi cortado por motivo de contusão. Na coordenação técnica contávamos com Zico para auxiliar Zagallo.
Tudo deu certo até a final, apesar do sufoco contra a Holanda na semifinal e do pouco brilho. Até hoje muitos torcedores e jornalistas perguntam o que aconteceu com Ronaldo, que sofreu convulsões horas antes da decisão do título e deu um grande vexame. A pergunta que eu faço é se, sem Ronaldo, teríamos vencido a França? Para mim, sim.
Célio Martins participou da cobertura da Copa do Mundo da França 1998 e atualmente é editor de Mundo da Gazeta do Povo.



