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Nascido na Alemanha Oriental, Toni Kroos é um dos símbolos do novo país | Arnd Wiegmann/ Reuters
Nascido na Alemanha Oriental, Toni Kroos é um dos símbolos do novo país| Foto: Arnd Wiegmann/ Reuters

Estratégia

Müller pede para que time não deixe Messi ‘pegar na bola’

Folhapress

Vice-artilheiro da Copa com cinco gols, Thomas Müller teve uma breve amnésia em relação às derrotas que sofreu para o argentino Lionel Messi antes da final amanhã, no Maracanã, às 16 h.

Primeiro disse que jamais perdera para o craque do Barcelona. Segundos depois, alertado, citou duas derrotas, ambas em amistosos, num total de três confrontos que tiveram. A única vez em que venceu Messi foi na goleada de 4 a 0 nas quartas de final da Copa-2010, quando ele marcou um gol.

"Conheço bem Messi, já o enfrentei várias vezes, pelo Bayern de Munique ou pela seleção. Só tenho lembranças boas dele, é um grande jogador, mas acho que nunca perdi para Messi, né? [perguntou a Lahm e ao porta-voz da seleção, sentados ao seu lado, que o lembraram] Ah, no meu primeiro jogo pela seleção, em março de 2010. Sim, eu perdi, num amistoso em Munique. E em outro amistoso em Frankfurt em 2012", disse Müller.

"Temos de nos prevenir para que Messi nem sequer receba a bola, fazendo um jogo compacto. Mas não é apenas ele, temos de nos defender de todo o time argentino", completou.

Um jornalista alemão perguntou se Müller temia os reflexos espirituais da "arma secreta argentina", o papa Francisco. "É difícil enfrentar as forças da natureza. Mas diria que vamos dar tudo de nós nesse jogo e que, honestamente, não acredito que teremos um 5 a 0 no primeiro tempo. Acho que será um jogo duro, como foi contra a Argélia e a França", respondeu o artilheiro.

O lateral e capitão Philipp Lahm, também presente à última entrevista dos alemães na Bahia, comentou o momento que vive a equipe às vésperas da final. "Vivemos um grande otimismo e expectativa. Temos sorte de ter um dia a mais de descanso [que os argentinos]. Vamos dar a vida para vencer. Há certa tensão, uma enorme expectativa, estamos ardendo para levar o troféu de volta para a Alemanha."

Um dos artífices da eliminação brasileira, Toni Kroos tem à sua espera um lugar único na história alemã. Se a Nationalef sair do Maracanã, amanhã, tetracampeã mundial – e é improvável que isso ocorra sem o brilho do camisa 18 –, o meia do Bayern será o primeiro cidadão natural da antiga Alemanha Oriental a vencer uma Copa.

Kroos nasceu em Greifs­­wald, no dia 4 de janeiro de 1990 – dois meses após a queda do Muro Berlim e nove antes da reunificação entre os lados oriental e ocidental. Mesmo sem ter uma única lembrança da vida em uma Alemanha dividida, o meia simboliza o processo de reunificação de um único país.

Seus primeiros passos nos gramados foram no Greifswald SC, clube da cidade que possuía uma ampla, porém deteriorada, estrutura poliesportiva comum a países comunistas. Em meio ao processo falimentar que fez o time mudar de nome, ele se transferiu ao Hansa Rostock, em 2002. Quatro anos depois, Kroos, então aos 16 anos, foi vendido ao Bayern por 2,3 milhões de euros para aliviar o caixa do clube.

A migração de jovens do Leste para o Oes­­te é um processo contínuo na Alemanha. A Saxônia, maior estado da porção oriental, tem 25% da população com mais de 65 anos. Quem ficou vê as cidades gastarem milhões demolindo prédios desocupados. Convive, ainda, com salários baixos, elevadas taxas de desemprego (variam de 9,2 a 13,5%) e tímidos índices de crescimento econômico – em 2013, 0,3%, contra 0,8% do Oeste. As cidades da Alemanha rica reclamam constantemente do pacto válido até 2019 que as obriga a transferir recursos para os irmãos pobres.

O futebol reflete esse cenário. Desde 2009 um time oriental não disputa a Bundesliga. Os centros de treinamento construídos pela Federação Alemã são, na prática, criadouros de talentos que rapidamente são captados por times como Bayern e Borussia Dortmund. "Eles atraem jogadores da nossa região, pois as condições lá são melhores. No futuro, ficará mais difícil para nós", disse Welle Ronald Kroos, pai de Toni e técnico do sub-20 do Hansa Rostock.

Até a redução da lista de Joachim Löw de 30 para 23 nomes, Kroos tinha a companhia de um "oriental", o lateral Schmmelzer. O time que joga pelo tetra amanhã tem seis nomes nascidos na Alemanha unificada – Götze e Schürrle foram os primeiros a defender a seleção nesta condição, em novembro de 2010. Porém somente com o fortalecimento do lado Leste será possível cumprir a profecia de Franz Beckenbauer quando a Alemanha sagrou-se tri em 1990: "O time da Alemanha unificada será imbatível por anos".

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