O ministro das Cidades, Mário Negromonte, admitiu nesta sexta-feira (25), em entrevista à rádio EstadãoESPN que seu chefe de gabinete, Cássio Peixoto, pediu a reanálise da nota técnica que vetava a troca da obra de uma linha rápida de ônibus (BRT) para outra de veículo leve sobre trilhos (VLT) em Cuiabá (MT). E afirmou que o fez sem sua ordem. "Ele [Peixoto] solicitou a reanálise do projeto", disse. "Agora, ele não fez a meu mandado, não." Na entrevista, Negromonte negou fraude no caso, chamou o repórter do Grupo Estado de mentiroso e desligou o telefone durante a conversa.
Conforme revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, documento forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Vianna, com autorização do chefe de gabinete do ministro, adulterou parecer que vetava a intenção do governo de Mato Grosso de trocar a implantação de BRT pela construção de um VLT e assim respaldou tecnicamente um acordo político que mudou o projeto de infraestrutura da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá.
Na entrevista à EstadãoESPN, Negromonte negou que tenha havido fraude no caso. Disse que houve uma "divergência" entre técnicos da Agência Executora das Obras da Copa do Mundo no Pantanal [Agecopa]. "O que houve foi uma divergência de opinião dos técnicos. Havia a opinião de um técnico dando um parecer e a opinião de outro técnico, da diretora Luiza Gomide Vianna, que é mais bem preparada, que reavaliou o parecer", disse. "Não houve fraude. Estão querendo colocar chifre em cabeça de jumento."
Em muitas das respostas, Negromonte repetiu que mandou abrir sindicância para avaliar o caso e que se nega a demitir funcionários na pasta para não "prejulgar" os envolvidos.
Sobre manchete publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo Negromonte negou que a Controladoria Geral da União (CGU) tenha reprovado a mudança no projeto para o VLT. Segundo o jornal, relatório do órgão que rejeita a troca é datado de 8 de setembro mesmo dia em que a pasta produziu uma nota técnica forjada para respaldar a proposta.
A CGU alerta que o VLT não deve ficar pronto até a Copa do Mundo de 2014 e que o governo de Mato Grosso omitiu informações sobre os gastos com esta obra, orçada em pelo menos R$ 1,2 bilhão, R$ 700 milhões a mais que o BRT. "Não tenho conhecimento do parecer técnico da CGU", afirmou. "O jornal se precipitou."
Ao final da entrevista, o ministro se irritou com o repórter Leandro Colon. "Não engano ninguém. Você é quem mente. Você está querendo prejulgar", disse, antes de desligar o telefone alegando que estava entrando em uma audiência.
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