
Rio de Janeiro - Romário está decidido a se tornar a voz mais ativa dos críticos à preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, e seu front inclui desde a falta de vigor do governo nas negociações com a Fifa às denúncias de irregularidade contra o presidente da CBF e do comitê organizador, Ricardo Teixeira.
O ex-atacante e agora deputado federal teve frustrada este ano uma tentativa de levar Teixeira ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre diferentes denúncias de corrupção, mas viu a decisão da Polícia Federal de iniciar um inquérito contra o dirigente como um "sinal verde" que pode melhorar o andamento dos preparativos.
De folga de suas atribuições em Brasília, Romário (PSB-RJ), de 45 anos, concedeu uma entrevista descontraída no Rio de Janeiro, mas recheada de declarações firmes, em seu prédio de frente para o mar na Barra da Tijuca. Assim como nos tempos de jogador, Romário segue com a pontaria afiada.
"Não é bater de frente, é falar o que alguns às vezes não têm coragem de falar, mas que é a pura verdade, a realidade, principalmente o que a gente está passando em relação à Copa do Mundo. As coisas que estão acontecendo e alguém tem de se posicionar", disse o atacante.
Romário disse que já tentou marcar um encontro com a presidente Dilma Rousseff para discutir a Copa do Mundo, mas que não foi possível por um conflito de agendas. Segundo ele, o governo tem sido frouxo tanto ao ceder a exigências da Fifa como na cobrança a Teixeira, que dirige o futebol brasileiro desde 1989 e também é o presidente do comitê organizador do Mundial.
"O governo tem que apertar, as coisas não são assim como ele [Teixeira] diz", afirmou Romário. "Claro que a CBF é a maior entidade, mas o futebol não tem dono... a Copa é do Brasil, do povo brasileiro."
Para o ex-jogador, Teixeira está prejudicando o andamento da preparação brasileira. "Acredito que se o governo tivesse cobrado mais do Ricardo Teixeira alguns anos atrás, ele não daria a entrevista que deu à revista Piauí faltando respeito com os três Poderes e principalmente com a nossa presidenta", disse.
Naquela entrevista, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol se coloca acima das autoridades do país no que diz respeito ao Mundial. "A gente tem que ser grato ao Ricardo Teixeira por ter trazido a Copa para o Brasil. Parabéns, a gente agradece, ponto. Daqui para frente é o Brasil", afirmou.
Na avaliação de Romário, a investigação da PF sobre o dirigente esportivo a pedido do Ministério Público Federal por suspeita de lavagem de dinheiro num suposto esquema de suborno envolvendo a Fifa pode abrir caminho para mudanças importantes na organização da Copa.
Procurada, a CBF disse por meio do diretor de comunicação Rodrigo Paiva que a entidade e Ricardo Teixeira não comentam as acusações.
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