
Separados por 450 metros, em lados distintos no Centro Cívico, os núcleos políticos da Copa do Mundo no Paraná parecem estar a quilômetros de distância quando o assunto é clareza.
Por três dias a reportagem esteve em contato com as pastas municipal e estadual do evento para apurar suas estruturas e funcionamento. Se em poucos minutos todos os dados foram apresentados pela prefeitura, o órgão da gestão Beto Richa não revelou nem a lista com o nome dos seus funcionários, nem seu orçamento.
Em uma semana tensa, após a divulgação pela Gazeta do Povo de um discurso feito há dois anos, no Conselho do Atlético, prevendo o perdão de dívidas que fossem contraídas pelo clube para receber o Mundial, o secretário especial do estado para assuntos da Copa, Mario Celso Cunha, abriu as portas do seu gabinete. Mas sem dados.
Falou da sua agenda concorrida e das muitas atribuições, assumidas em janeiro do ano passado com a posse. Porém delegou à Casa Civil, secretaria à qual está subordinado, repassar as especificações sobre o seu gabinete quanto a pessoal e verbas.
A assessoria da Casa Civil, contudo, devolveu a demanda a Cunha, que não esclareceu os questionamentos da reportagem. "Considerando que a nossa secretaria é especial, ela não tem dotação orçamentária. Nós dependemos dos recursos da Casa Civil, a quem estamos ligados. Contamos com 12 funcionários cedidos por ela", respondeu por e-mail, reforçando as respostas dadas duas vezes pessoalmente.
"Não trabalhamos com grandes despesas. Não fazemos comerciais e nem divulgação paga de nossas ações. As viagens são pagas pelo orçamento da Casa Civil, bem como nossos servidores administrativos", seguiu a mensagem.
A coirmã municipal tem uma estrutura mais enxuta e menos restrições a falar de recursos humanos e financeiros. Encabeçada por Luiz de Carvalho, o órgão conta com três funcionários no gabinete e mais dois assessores: Geraldo da Silva Pereira, delegado aposentado da Polícia Federal e com cargo comissionado, e Suzana Costa, assessora técnica na área de projetos, integrante do quadro do Ippuc.
"O orçamento das secretarias é de R$ 35 mil por mês. Não o meu salário, hein? É tudo", garantiu Carvalho.
Na prática, ambas têm atribuições similares: são mais políticas do que executórias. "Coordenar, fiscalizar e acompanhar todas as ações envolvendo a preparação da Copa do Mundo 2014", disse Mário Celso. Ele ressalta que suas ações estão sujeitas a mais de dez órgãos fiscalizadores como Tribunal de Contas, local e federal, Ministério Público, Ouvidoria, estadual, Ordem dos Advogados do Brasil, entre outros.




