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Seguradoras estão de olho em obras da Copa

Setor pede que suas apólices sejam incluídas no Regime Diferenciado de Contratação (RDC), aprovado pela Câmara dos Deputados no mês passado

Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba: seguradoras querem poder cobrir até 45% das obrigações contratuais de obras de infraestrutura para a Copa | Jorge Woll/SECS
Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba: seguradoras querem poder cobrir até 45% das obrigações contratuais de obras de infraestrutura para a Copa (Foto: Jorge Woll/SECS)

De olho nos mais de R$ 50 bilhões orçados pelo Ministério dos Esportes para as obras de infraestrutura necessárias para a Copa do Mundo de 2014 e pelo Comitê Olímpico Brasileiro para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, seguradoras estão querendo mais uma alteração na Lei das Licitações (8.666/93), cujas primeiras mudanças foram aprovadas em junho pela Câmara dos Deputados, por meio da Medida Provisória 527, com a criação do Regime Diferenciado de Contratação (RDC). O setor, que tem crescido em ritmo acelerado de dois dígitos nos últimos anos, quer que suas apólices sejam as principais garantias tanto para os processos licitatórios quanto para a execução das obras. O pedido foi enviado ao Ministério da Fazenda, mas não foi contemplado – não na primeira versão do documento, ao menos.

A expectativa é de que a grande maioria das empresas (ou consórcios de empresas) que vencerem as licitações escolham o seguro garantia como forma de caução para assegurar seus contratos, o que deve ser uma revolução para uma modalidade que teve um crescimento tímido em 2010, com receita na ordem dos R$ 918 milhões – apenas 5,5% acima da registrada em 2009. O setor fala em dobrar de tamanho neste ano. Na esteira dessa oportunidade, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros, Previ­dência, Saúde e Capitalização (CNSeg) também está sugerindo ao Executivo e Legislativo federais a elevação do teto do seguro garantia dos atuais 5% para 45% das obrigações contratuais. Os seguros de responsabilidade civil e engenharia também devem ser amplamente utilizados nas obras de infraestrutura, a exemplo do que já vem ocorrendo com as obras dos estádios.

O setor diz que tem capacidade praticamente ilimitada para fazer isso e cita como exemplo recente o pool de seguradoras – formado pela paranaense JMalucelli, pela Fator Seguradora (com 12% do mercado) e pela UBF Seguros – que garantiu, em março, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Com investimentos estimados em R$ 20 bilhões, cerca de 5,5% são sustentados pelo seguro garantia. "Esse ramo apresenta, esporadicamente, alguma dificuldade na obtenção de capacidade para contratos de valores mais elevados. Porém, através de pools de cosseguro e resseguro isso é resolvido, como no exemplo de Belo Monte. Dessa forma, qualquer seguradora está preparada para emitir apólices de importâncias ilimitadas", afirma o vice-presidente da UBF Seguros, Luiz Alberto Pestana. Ele diz que as empresas do setor podem ajudar muito na conclusão das obras. "Se forem detectados problemas que possam comprometer o cronograma da obra, a seguradora poderá intervir de forma pró-ativa, até com injeção de recursos, para prevenir atrasos", exemplifica.

O diretor da JMalucelli, Gustavo Henrich, também frisa o aval de competência técnica que uma construtora exibe ao ter um projeto seu segurado. "Sob o ponto de vista do contratante – no caso da Copa, o governo –, ao contar com seus empreendimentos garantidos por uma apólice de seguro garantia, tem-se a segurança de que a seguradora analisou, previamente à emissão da apólice, a capacidade financeira e técnica da empresa contratada e que, num eventual sinistro, a seguradora poderá optar por indenizar os prejuízos causados ao contratante ou concluir a obra objeto da garantia", diz. É da paranaense JMalucelli a maior fatia do mercado de seguro garantia do país (21,4%), operado hoje por 22 seguradoras e 18 resseguradoras, segundo dados de abril da Superin­tendência de Seguros Privados (Susep). Em seguida vêm a Porto Seguro (21,1%) e a Itaú Seguros (19,8%).

Do ponto de vista da seguradora, o seguro garantia é também o negócio mais rentável. "É uma modalidade que não é de risco, como o seguro de um carro, que controlamos e que, no fim, podemos não debitar o prêmio. Só por isso, é o nosso negócio mais rentável", lembra o superintendente de Produtos Financeiros e Responsabilida­des da Allianz Seguros (empresa com 5% do mercado), Edson Toguchi.

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