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Estádio

Sem teto: Fifa veta cobertura retrátil da Arena

Com receio de atraso, entidade pediu adiamento da instalação da cobertura. Segundo o clube, “tampa do Caldeirão” será instalada depois da Copa

Vistoria da Fifa observa as obras da Arena na Baixada: nova casa rubro-negra não poderá ter a “tampa do Caldeirão” na Copa-2014. Cobertura da praça esportiva será apenas na arquibancada | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Vistoria da Fifa observa as obras da Arena na Baixada: nova casa rubro-negra não poderá ter a “tampa do Caldeirão” na Copa-2014. Cobertura da praça esportiva será apenas na arquibancada (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

O Caldeirão vai ficar sem tampa. Na saída encontrada para entregar a Arena até 31 de dezembro, honrando o prazo estipulado pela Fifa, o Atlético acabou obrigado pela entidade a desistir do teto retrátil para a Copa.

"Nós tínhamos dúvidas há duas semanas atrás [sobre o cumprimento da data de entrega]. Conversamos para adiar a construção da cobertura retrátil. Baseado nisso, posso dizer que o estádio ficará pronto dentro do prazo", revelou Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, em entrevista coletiva após a última visita técnica a Curitiba, ontem.

Pouco antes do desembarque da comitiva da Fifa na cidade, o Rubro-Negro divulgou que a Baixada está 75,1% concluída, patamar referente ao mês de julho. O número anterior era de 71,4%, em relatório do dia 11 de julho. Seria assim a cidade com a edificação mais atrasada – atrás de São Paulo (86%), Natal (83,8%), Cuiabá (80%), Porto Alegre (76,5%) e Manaus (76,2%).

A "tampa do Caldeirão", nas palavras de Mario Celso Petraglia, presidente do Rubro-Negro, seria algo inédito no Brasil. Nenhuma das outras 11 sedes do Mundial prevê o recurso. Foi uma promessa do dirigente assumida em agosto de 2012, de olho no caráter multiuso da construção e considerando o clima instável de Curitiba, acatando sugestão da AEG Facilities, empresa americana que fará a gestão da Arena. Ficou para depois.

"A Fifa não exige o teto retrátil. Foi uma liberalidade do clube, aproveitar a reforma para complementarmos. Por ser uma atividade um pouco mais complexa de engenharia, a preocupação é que poderia atrapalhar o cronograma. O Atlético não desistirá, deixaremos para a instalação no pós-Copa", declarou Petraglia, também na coletiva depois da inspeção da Fifa.

Em abril, em entrevista ao jornal Zero Hora, o mandatário rubro-negro fez outra análise sobre o mecanismo. "A tecnologia é muito simples, praticamente a mesma utilizada para pontes rolantes industriais. O investimento é muito baixo".

A modificação não atingirá o orçamento da obra, segundo o dirigente. De acordo com o último levantamento apresentado pelo Furacão, a Arena custará R$ 265 milhões, sendo R$ 96,5 milhões bancados pelo Atlético, R$ 84,25 milhões pelo governo do Paraná e outros R$ 84,25 milhões pela prefeitura de Curitiba, os três participantes da empreitada. "Em nenhum momento o teto retrátil constou no orçamento. Sempre foi dito que tudo isso ficaria por conta do clube", reforçou o cartola atleticano.

Em maio, o presidente da subcomissão permanente de acompanhamento da Copa, o senador Sérgio Souza (PMDB-PR), já havia indicado a possibilidade de o teto retrátil ser concluído posteriormente. A hipótese foi prontamente rechaçada pelo secretário estadual do Mundial, Mario Celso Cunha. "A Arena vai ser entregue com a cobertura total em dezembro de 2013. Não tem chance de isso não acontecer", afirmou na época.

A alteração vinha sendo discutida há algum tempo. Fez parte, por exemplo, das observações do consultor para estádios da Fifa, Charles Botta, em junho, em outra vinda à Curitiba.

Além da possibilidade de comprometer o cronograma, agora afastada, Petraglia disse ainda que a "tampa" não poderia ser utilizada na realização das quatro partidas da Copa em Curitiba. "O estádio não teria condições de ser fechado se estiver chovendo em Curitiba. A Fifa dá uma isonomia aos estádios", justificou.

O regulamento da entidade para a Copa, no entanto, não trata dessa possibilidade. Alerta somente que se a praça possuir tal artifício, o comissário do jogo, árbitro e oficiais das seleções devem deliberar sobre o fechamento. Quatro jogos de Mundial contaram com o recurso contra o mau tempo, nos EUA-94 (Detroit), Japão-2002 (Sapporo) e Alemanha-2006 (Frankfurt e Gelsenkirchen).

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