
Figura importante nos bastidores da seleção brasileira, Rodrigo Paiva ganhou ontem os holofotes ao ser punido pela Fifa. Um episódio de agressão que em nada abala o prestígio do diretor de Comunicação da CBF, há 12 anos no cargo e "costa quente" de sobra.
De acordo com a Fifa, Paiva desferiu um soco no atacante Pinilla, do Chile, no intervalo do confronto de sábado, no Mineirão. Por causa disso, o brasileiro não poderá exercer sua função nas quartas de final com a Colômbia. O atleta chileno protestou via Twitter: "Uma partida para Rodrigo Paiva? Vergonha. Deveriam banir esse delinquente disfarçado. Não pode vir qualquer imbecil agredir um jogador", escreveu.
O caso vai bem além das aparências como é o teor do trabalho do diretor, desenvolvido nas "sombras". Começou na semana do duelo sul-americano. Por duas vezes, Paiva rechaçou repórteres chilenos nas entrevistas coletivas, orientado pela comissão técnica. Na segunda, reagiu irado a uma questão sobre arbitragem: "Esse tema soa até ridículo".
A confusão, entretanto, surgiu no gramado, quando o atacante Fred deu um tapinha no zagueiro Gary Medel. O desentendimento alcançou os corredores do estádio e acabou generalizado. Na zona mista após a classificação sofrida, Paiva chamou de empurra-empurra.
Ontem, preferiu se pronunciar por nota oficial. "Respeito, como sempre respeitei, as decisões da Fifa. O caso está sendo investigado pelo Comitê Disciplinar da entidade, e o mesmo já tem à sua disposição provas da conduta reprovável por parte de membros da delegação chilena."
O ato de violência, na avaliação da Fifa, surpreende quem conhece intimamente o protagonista. "Não acreditei quando soube da notícia, pois o Rodrigo é muito tranquilo. Não reage nem quando é provocado", diz Renato Gaúcho.
O ex-jogador e técnico viu Paiva iniciar no ramo, em 1990, no Flamengo. "Ele era remador do clube e nós demos uma força pra ele", relembra. Renato foi ainda parceiro de farras. Em 2005, numa entrevista para a revista Trip, Paiva revelou que os dois eram o terror do Rio de Janeiro.
Em 1999, o diretor de Comunicação passou a assessorar Ronaldo. E por indicação do Fenômeno foi contratado por Ricardo Teixeira, presidente da CBF, antes do Mundial do Japão e da Coreia do Sul, em 2002. Aos poucos, tornou-se braço direito do todo-poderoso do futebol brasileiro por 23 anos.
Paiva é um arquivo vivo e, graças à proximidade com o chefão, sobreviveu no posto quando o cartola-mor se afastou da organização, em 2012, acusado de corrupção. Mas saiu em seguida do Comitê Organizador Local (COL) do Mundial, que também foi presidido por Teixeira.
O relacionamento do carioca com o atual mandatário, José Maria Marín, é estritamente profissional o dirigente possui um assessor próprio, Douglas De Felice. Não se sabe se permanecerá a partir de 2015, com Marco Polo Del Nero no comando.
No ambiente da seleção, Paiva é um conciliador. Sabe desviar dos inúmeros pedidos dos jornalistas sem desagradar a ninguém. Exibe a mesma desenvoltura atuando na guerra de interesses dos grandes veículos de mídia.
"Ele é igualmente fácil e difícil de lidar. O Rodrigo é incapaz de ser grosseiro com alguém, mas sabe controlar muito bem tudo o que acontece dentro da seleção", diz um repórter na cobertura do Brasil desde 2000, que pediu para não ser identificado.



