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Preso sob suspeita de chefiar quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos para jogos da Copa do Mundo, o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, 57, será ouvido nesta semana pela Polícia Civil do Rio.

Seus advogados estiveram nesta segunda-feira (21) na 18ª DP (Praça da Bandeira) para avisar aos policiais que Fofana quer prestar esclarecimentos.O delegado responsável pelo caso, Fábio Barucke, disse à reportagem que o acusado pode até receber o benefício da delação premiada (quando o réu conta o que sabe para ter uma pena menor) se colaborar com a polícia.

Barucke afirmou que vai mandar um ofício nesta terça-feira à Secretaria Estadual de Administração Penitenciária solicitando a ida do franco-argelino à delegacia."O depoimento dele é importantíssimo. Podemos até oferecer uma delação premiada, caso ele concorde em passar todo o esquema, a facilidade em adquirir esses ingressos com o Raymond (Whelan, diretor-executivo da Match), se existia essa divisão de lucros e quanto era. Também vamos ver se ele indica a fonte de ingressos da CBF", afirmou o delegado.

Quando foi preso, Fofana disse à polícia que só prestaria depoimento em juízo. A defesa dele, no entanto, afirma que ele voltou atrás e agora quer falar com os investigadores.

A polícia suspeita que a quadrilha contasse com a ajuda de um funcionário da CBF para obter os bilhetes oferecidos como cortesia à entidade. Gravações telefônicas feitas com autorização judicial mostram o franco-argelino conversando com alguém da entidade. Essa pessoa ainda não foi identificada, mas seria a responsável por passar os ingressos da CBF aos cambistas.

A reportagem procurou o advogado de Fofana, mas ele não atendeu aos telefonemas. A partir desta segunda-feira, o delegado desmembra o crime de lavagem de dinheiro para um terceiro inquérito."Isso porque a gente não apreendeu dinheiro e quer saber o destino dessa verba, onde foi parar esse dinheiro. O volume de negociações era alto, e a gente não sabe onde foi parar", afirmou.

Barucke disse ainda que deve pedir a quebra de sigilo de outros telefones de Fofana e de Whelan –diretor-executivo da Match, única empresa autorizada pela Fifa para comercializar os chamados pacotes de hospitalidade (ingressos mais hospedagem). Também serão quebrados os sigilos de nove contas bancárias de suspeitos da quadrilha.As contas de Whelan e Fofana, porém, não foram localizadas no país. Segundo o delegado, o caso pode ser transferido para a Polícia Federal se forem detectados os crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal.

Para mostrar a atuação da quadrilha de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, a Polícia Civil do Rio infiltrou duas jovens policiais mulheres em festas e recepções organizadas pelo grupo.Foram presas 12 pessoas em 1º de julho, após três meses de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio.De acordo com policiais, o grupo pretendia arrecadar até R$ 200 milhões até o fim da Copa e atuava ao menos desde o Mundial de 1998.

Para a final, um ingresso estava sendo oferecido R$ 35 mil. De acordo com as investigações, o grupo faturava até R$ 1 milhão por jogo.

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