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Brasileiro

Corda no pescoço

Protagonista do drama atleticano, presidente Marcos Malucelli teme mancha no currículo com possível rebaixamento. Furacão corre o risco de cair esta tarde

Marcos Malucelli, presidente do Atlético, faz embaixadinhas durante o treinamento da equipe em Uberlândia: dirigente quer evitar mancha no currículo com orebaixamento à Segunda Divisão | Albari Rosa/ Gazeta do Povo/  Enviado especial
Marcos Malucelli, presidente do Atlético, faz embaixadinhas durante o treinamento da equipe em Uberlândia: dirigente quer evitar mancha no currículo com orebaixamento à Segunda Divisão (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo/ Enviado especial)

Uberlândia - Marcos Malucelli, 61 anos, vive neste domingo (27) um dos seus dias mais tensos. Na mesma proporção que o time luta em campo para evitar o re­­baixamento, o presidente do Atlético – dono da última palavra no clube – se limita a torcer. Nada mais lhe resta.

A possibilidade de queda é real. O Rubro-Negro enfrenta o América-MG, às 17 horas, no Parque do Sabiá, em Uberlândia precisando vencer para se manter vivo no Atletiba da última rodada.

Uma derrota em Minas, somada à vitória do Cruzeiro ou do Ceará (os dois se enfrentam no mesmo horário, em Fortaleza), decreta a queda atleticana para a Segunda Divisão. Cenário que atormenta o advogado.

"Eu tenho uma gestão séria, correta e honesta. Deixo o clube em uma situação tranquila para o seu futuro administrador. Mas, para todos os efeitos, estes três anos ficaram resumidos nestas duas partidas [América e Cori­­tiba]. Se não ganharmos, ficará a marca da derrocada no Brasileiro de 2011", diz.

Apoio dos subordinados não falta. "Um rebaixamento é ruim para os jogadores, para o presidente, para todos... Estamos botando a cara para bater, respeitando ele [Malucelli], o clube e a torcida", explica o capitão Paulo Baier.

O dirigente, inclusive, garante receber o aval de muitos rubro-negros. "Neste último ano eu en­­­con­­­trei várias pessoas na rua e nun­­­­ca nenhuma nem sequer me hos­­­tilizou. Pelo contrário", fala, com a ressalva: "Eviden­­temente que o último ano vai ficar marcado. No geral, durante o triênio todo, o saldo é positivo. Não quero fazer uma autoanálise, mas a história fará."

Filho de Jorge Malucelli, um ex-jogador do Furacão na década de 40, o dirigente ganhou sua primeira carteira de sócio aos 13 anos, em 1963. Natural de Irati, o advogado cível chegou a Curi­­tiba na maioridade e tornou-se conselheiro do clube em 71. Uma biografia atleticana que ele não quer manchar.

"Evidente [que eu tenho um temor de ficar marcado]. Não só eu, como os demais diretores. Eu não exerço o meu mandato com autoritarismo", conta. "O presidente é como o treinador. Um sofre as consequências na parte técnica e outro na parte administrativa", compara.

Diante da campanha sofrível no ano, com 50 jogadores e seis treinadores, Malucelli admite os equívocos e promete que, após o campeonato, fará uma prestação de contas ampla aos sócios e torcedores. "Porém, não vou apontar quem ajudou ou atrapalhou."

Mesmo diante da pressão, dos problemas familiares e profissionais que enfrentou por ter de dispor muito tempo ao Atlético, o mandatário não se arrepende. Pelo contrário.

"Hoje eu tenho experiência suficiente para administrar um clube melhor do que foi nestes três anos. Algumas coisas que eu fiz não repetiria. Sei como se controla este circuito de futebol, envolvendo empresário, jogador, representante, investidor...", fala, resumindo porque não aceita a empreitada.

"Quando assumi disse que seria por um mandato, que não viraria cartola, como não virei. Eu tenho uma única palavra."

Esta tarde, na condição de responsável pela pífia temporada, ficará na torcida pelo Atlético – e por ele mesmo.

Ao vivo

América-MG x Atlético, às 17 horas, no tempo real da Gazeta do Povo (www.gazetadopovo.com.br).

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