
A venda de Pedro Ken para a Traffic, a ser oficializada na segunda-feira, marcará o fim de uma geração que deixará saudades no Alto da Glória. O meia do Coritiba é o último remanescente da geração que contou com Henrique, Keirrison e Marlos, chamada praticamente às pressas para levar o Alviverde de volta à elite do Brasileirão coisa que jogadores experientes como Willian Batoré, Alberto, Cristian, Artur, Kléber ou Jackson não haviam conseguido em 2006.
Quando Pedro Ken deixar o Coxa, no fim do ano, daqueles garotos da base que o clube apostava tanto, restará apenas um retardatário: o ex-volante Dirceu, que para tentar conseguir seu espaço teve até de mudar de posição e hoje é zagueiro. Além, é claro, das lembranças do título estadual em 2008 e da campanha sem sustos do ano passado, na reestreia na Série A na qual, por alguns momentos, se chegou a acreditar até em Libertadores.
A saída do atleta é irreversível. Mas, curiosamente, de quem se esperava menos, Pedro Ken deverá ser o jogador que mais dará retorno aos cofres do Coritiba. Keirrison rendeu apenas R$ 2 milhões; Marlos saiu de graça; e Henrique, embora tenha sido vendido por R$ 6 milhões, depois de quatro meses no Palmeiras se transferiu para o Barcelona por quatro vezes mais: R$ 25 milhões (leia mais nesta página).
No caso do Japonês, como o jogador também é chamado, o Coxa tem 60% de seus direitos econômicos, deverá vender 40% por R$ 2 milhões e ainda ficará os outros 20% para receber em uma futura transação. Se o meia atingir o patamar do ex-zagueiro alviverde, por exemplo, seriam mais R$ 5 milhões em caixa.
"É um negócio para todos ganharem", afirma Marcos Malaquias, da Mais Sports Brazil, empresa que gerencia a carreira de Pedro Ken e, da geração em questão, só não cuidava da de Marlos.
Desta vez, a empresa também deverá ajudar o Alviverde com alguns reforços. O que deverá ser necessário. Pois, da nova safra colocada em campo neste ano, ninguém ainda deu resultados significativos.
Prematuros
Dos atletas que subiram em 2009, continuam no profissional apenas o volante Willian e o zagueiro Lucas Mendes. Nenhum deles, contudo, tem chances na equipe de cima. O centroavante Roger, a grande promessa deste ano, Ruy e Thiago Real acabaram retornando prematuramente às categorias de base por não conseguirem repetir em cima o desempenho de baixo.
"Tivemos uma entressafra. Nessa gestão, apostamos em um projeto de médio prazo", justifica o coordenador geral da base alviverde, Mário André Mazzuco.
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As saídas
Henrique
O Coritiba tinha 90% dos direitos econômicos do zagueiro e os vendeu para a Traffic por R$ 6 milhões. O atleta fez uma ponte no Palmeiras por quatro meses e foi vendido ao Barcelona por R$ 25 milhões (na época 10 milhões de euros).
Keirrison
O Coxa tinha 20% dos direitos econômicos do K9. A Mais Sports e o atleta detinham 80% e venderam esse porcentual no meio do ano passado para a Traffic. O Coritiba preferiu manter o jogador até o fim de seu contrato, em abril deste ano. Mas, em janeiro, o Alviverde vendeu sua parte por R$ 2 milhões. Sete meses depois, o atacante foi negociado com o Barcelona por R$ 44 milhões (16 milhões de euros na época).
Marlos
O clube tinha 60% dos direitos federativos do atleta. Mas, como havia feito um contrato curto com o jogador até 24 de maio deste ano , não recebeu nada após o fim do vínculo. Marlos foi para o São Paulo de graça.
Pedro Ken
O Coritiba tem 60% dos direitos econômicos do meia. Venderá dois terços disso por R$ 2 milhões e ficará com 20% para uma futura venda. O jogador deverá fazer uma ponte no Cruzeiro, mas logo depois deverá seguir o destino dos companheiros e chegar à Europa. Se for vendido pelo valor de Henrique, por exemplo, o clube ganhará mais R$ 5 milhões.



