Samir Namur entre os pares do conselho administrativo do Coxa. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Samir Namur entre os pares do conselho administrativo do Coxa.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Os sócios do Coritiba elegeram no sábado (9) Samir Namur como o novo presidente do clube. O mandato valerá pelos próximos três anos e será repleto de desafios. A posse de Namur, substituto de Rogério Bacellar, ocorre na próxima quinta-feira (14).

Confira algumas das principais batalhas a serem travadas pelo próximo presidente coxa-branca.

Reformulação de elenco

Do inchado elenco que foi rebaixado, 22 jogadores têm contratos terminando em dezembro. Alguns, como o lateral-esquerdo Thiago Carleto e o lateral-direito Dodô já deixaram o clube, para Atlético e Shakhtar, da Ucrânia, respectivamente. Outros já negociam com outros times, caso do atacante Rildo.

Mesmo quem tem contrato, como o goleiro Wilson, o zagueiro Werley e o atacante Kléber, não tem permanência assegurada. A nova diretoria terá ainda de buscar reforços no novo cenário de Segundona, que altera o patamar de negociações.

VEJA REPERCUSSÃO DA ELEIÇÃO DE SAMIR NAMUR NAS REDES SOCIAIS

Dívida

O próximo presidente assumirá o Coritiba tendo de administrar uma dívida de mais de R$ 200 milhões. Pior. Com a queda para a Série B, o Coxa terá redução em praticamente todas as suas fontes de receitas: patrocínios, sócios-torcedores, bilheterias e premiações de competições, por exemplo.

O cenário de endividamento afeta diretamente o departamento de futebol: no vermelho e com receitas mais escassas, a nova cúpula terá de ser cirúrgica na contratação de reforços para levar o clube novamente à elite brasileira.

Cotas de tevê

O contrato do Coritiba com a Rede Globo pelos direitos de transmissão da tevê aberta termina em dezembro de 2018. A cota atual recebida pelo Coxa é de R$ 35 milhões. Valor que será mantido no primeiro ano de Série B e será renegociado pelos novos gestores para 2019.

Na tevê fechada, o Coritiba já fechou com o Esporte Interativo para o período 2019-2024. O clube também negocia com o mesmo canal a venda dos direitos para a plataforma pay-per-view, para o mesmo período.

Há ainda a questão das cotas para o Paranaense de 2018. Em 2017, o Coritiba rejeitou a proposta da tevê, assim como o rival Atlético. Caberá à nova diretoria manter aceitar os valores para o ano que vem ou manter a rejeição.

Baixa autoestima da torcida

Após seis anos seguidos lutando apenas contra o rebaixamento na Série A e, finalmente, com a queda para a Série B em 2017, a nova diretoria assumirá o clube com o c ompromisso imediato de resgatar o orgulho e a autoestima dos coxa-brancas.

Promessas mirabolantes que não podem ser cumpridas, por exemplo, devem ser evitadas. No futebol, a contratação de atletas e gestores capazes de criar identificação com o clube é o caminho para reaproximar os torcedores do Alto da Glória.

Plano de sócios

A baixa autoestima decorrente das fracas campanhas recentes e, especificamente, do rebaixamento, tende a afetar diretamente as receitas do clube com plano de sócios. No último balanço financeiro publicado pelo Coxa, referente a 2016, o clube registrou receitas de R$ 18 milhões com associados (21.500 adimplentes à época, cerca de 18 mil atualmente). Este número deve cair na Série B.

A nova cúpula poderá rediscutir os atuais planos disponíveis para os torcedores e readequá-los à realidade menos badalada e menos atraente da Série B.

Oposição

Vencedor em pleito que contou com três chapas, Samir Namur inevitavelmente terá uma oposição atuante dentro do próprio clube. A atuação do Conselho Deliberativo durante a gestão Bacellar, por exemplo, foi duramente atacada pelo mandatário e seus dirigentes.

A análise foi de que, por ser formado majoritariamente por integrantes oposicionistas a Bacellar, o Deliberativo “sabotou” ideias e projetos e dificultou a gestão. O diretor Ernesto Pedroso chegou a taxá-lo como “a origem do mal no Coritiba”.

Patrimônio

A promessa de um novo estádio foi um dos símbolos da “Era Bacellar”. Após a apresentação de uma série de maquetes, entretanto, o projeto não evoluiu. O envelhecimento e a vida útil do Couto Pereira são consenso no Alto da Glória. Questão que deverá ser tratada pelos novos gestores.

Há ainda a questão dos centros de treinamento. Enquanto o CT da Graciosa está penhorado por causa de uma ação milionária do ex-jogador Lincoln, o terreno adquirido em Campina Grande do Sul para um novo CT está impedido por questões ambientais.

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