
O dia da volta para casa foi especial para cada coxa-branca. Motivo de festa, apoio incondicional, emoção... Mas estava implícita a obrigação de uma vitória sobre a Portuguesa. E ela veio, não sem algum sofrimento no nervoso primeiro tempo. No segundo, após a adrenalina baixar um pouco, o Coritiba passou por cima, fez 2 a 0 e mostrou que o Couto Pereira, de fato, faz a diferença.
De camisa nova o terceiro uniforme, lembrando a bandeira do Paraná , o Alviverde estreava Tcheco. Porém nem a experiência do meia foi capaz de dar ao time a calma necessária para aproveitar, de cara, a vantagem de jogar em seu reduto.
Afoitos para mostrar serviço, os jogadores coxas erravam passes e entravam seco nos adversários, tomando o drible facilmente ou fazendo faltas. Bem posicionada, a equipe paulista dominou o jogo até o intervalo. "O adversário está um pouco nervoso", dizia o meia Marco Antônio, da Lusa. "É por causa da torcida. A cobrança está em cima deles. Eles é que têm de vencer."
Mas os torcedores, pacientes como nunca, não soltaram a vaia típica de quando o time joga mal. Muito menos pegavam no pé de jogadores que erravam, como o lateral-direito Ângelo. Assim, o trunfo da Portuguesa ruiu nos vestiários. "Ficamos até um pouco preocupados. Mas o Ney Franco falou para a gente ter calma e tocar a bola que iríamos melhorar", contou o atacante Leonardo.
Não só o time melhorou na segunda etapa, como passou a massacrar em busca do gol. Ele viria exatamente com Leonardo, aos 14 minutos, limpando a marcação na área e batendo cruzado. "Estou impressionado. Fiquei emocionado quando fiz o gol, e bem do lado que fica a torcida que não pára de pular. Você fica até meio cego no momento. O Coritiba não pode ficar na Segunda Divisão", discursou o artilheiro.
Na jogada, ponto para Ney Franco. Vendo os espaços na direita, mal aproveitados por Ângelo, ele sacou o lateral e deslocou o meia-atacante Rafinha para o setor. Foi do baixinho o belo passe por elevação para Leonardo.
O adversário já parecia não ter mais forças para lutar contra todo o cenário armado para uma vitória alviverde. Para a tensão se transformar de vez em comemoração, Léo Gago acertou a gaveta em uma cobrança de falta aos 41 minutos. "A obrigação era nossa. Para a torcida poder fazer festa antes e continuar depois do jogo", disse o zagueiro Pereira.
Não fosse a vitória do Bahia sobre a Ponte Preta, de virada, fora de casa, o Coritiba teria assumido a liderança empatado com os baianos, perde no saldo de gols. Apenas um detalhe para quem esteve ontem no Alto da Glória e saiu com a certeza do retorno à Série A. Mesma expectativa de Ney Franco: "A volta [ao Couto Pereira] não dá certeza da subida. Mas se todos no clube mantiverem essa postura, estaremos bem perto de coroar o nosso trabalho com o acesso."





