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Automobilismo

Crise deixa pilotos com futuro incerto na Stock

Falta de patrocinadores afeta a principal categoria do país. Próxima etapa será domingo, em Curitiba

Sem patrocínio, Valdeno Brito ocupou o espaço do para-brisa do carro com coração ladeado pelas palavras “Jesus” e “Você” | Vanderley Soares/ Divulgação
Sem patrocínio, Valdeno Brito ocupou o espaço do para-brisa do carro com coração ladeado pelas palavras “Jesus” e “Você” (Foto: Vanderley Soares/ Divulgação)
Confira a programação da Stock Car |

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Confira a programação da Stock Car

A onda de retração que invadiu mundo esportivo em 2009 alcançou também à Stock Car. Se não chega a ser uma tsunami – como diria o presidente Lula –, a marolinha da crise mundial que atingiu o Brasil está dando trabalho para a categoria. Muitas das equipes que chegam hoje a Curitiba para a segunda etapa da competição ainda penam para conseguir patrocinador.

"Ninguém quer investir em publicidade. Só uns dez pilotos largaram em Interlagos (29/3, na primeira etapa) com patrocínio. Nos anos anteriores, em janeiro todos do grid já tinham apoio", fala o piloto da RCM Motorsport, Valdeno Brito, que ocupou o espaço do para-brisa do carro com coração ladeado pelas palavras "Jesus" e "Você".

"É um espaço que está à venda, mas prefiro fechar antes a cota principal (a do capô). Como tenho o subsídio da lei de incentivo do governo da Paraíba, posso negociar os valores de cada cota", diz Brito. Em agosto do ano passado, ele ganhou R$ 1 milhão ao vencer a "Corrida do Milhão". O dinheiro, no entanto, não será aplicado na equipe. "Usei para construir uma casa", conta.

Situação mais delicada vive o curitibano Enrique Bernoldi, da RCM Motosport. Ele voltou à Stock Car depois de um ano na Fórmula Indy. É dele a missão de levar seu patrocinador à equipe. Começou 2009 com apoio da cervejaria Colônia (de Toledo) para as quatro primeiras provas. Mas, caso a empresa não faça nova prorrogação ou novos contratos, o piloto pode não terminar o campeonato.

"Seria uma situação chata terminar a carreira por falta de patrocínio, depois de 15 anos, cinco anos na Fórmula 1 (dois como piloto da Arrows)", diz.

O caso mais emblemático é o do toledado Rodrigo Sperafico: vice-campeão em 2007, ele está sem patrocinador e, assim, ficou sem equipe. Ele continua em busca de apoio para, com dinheiro no bolso, pleitear a vaga de piloto reserva.

Piloto da RZ Racing, o curitibano Ricardo Zonta conta que sua equipe precisou rever o orçamento para a atual temporada. "Vendemos70% das cotas. Se não vendermos o restante até julho, terminamos o ano no prejuízo", calcula. A equipe deve gastar mais neste ano, por causa do novo modelo de carro, o JL G-09. Em 2008, a RZ Racing investiu R$ 1,6 milhão. Para 2009, estima-se que o gasto seja 40% maior.

A organização da competição, porém, afirma não ter sido tão afetada pela crise mundial. "A Stock está em um momento de afirmação, estamos com o grid cheio e vamos manter o padrão de qualidade dos eventos", afirmou o presidente da Vicar (empresa organizadora), Carlos Col. A perda do apoio da Petrobras foi rapidamente compensada pelo contrato com a Esso. Mas, se a previsão inicial era crescer 15% sobre os R$ 560 milhões movimentados pela categoria em 2008, qualquer taxa positiva em dezembro será motivo de comemoração.

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