
O clássico em que o Cruzeiro bateu o Atlético-MG por 6 a 1 foi encerrado com o apito de Marcelo de Lima Henrique, mas parece não ter fim. A partida selou a salvação do Cruzeiro e o rebaixamento do Atlético e virou motivo de discussão durante o início da semana. Na segunda-feira, o presidente do Galo, Alexandre Kalil deu uma coletiva furioso com a derrota. Nesta terça-feira (5), à Gazeta do Povo, o técnico paranaense Cuca seguiu a mesma linha de indignação.
Ocorreu alguma coisa de diferente neste jogo?
Jogamos contra o Botafogo na rodada anterior e ganhamos (4 a 0). Mantivemos, eu e o Carlinhos Neves (preparador físico da equipe, também paranaense), a mesma programação de treinos e concentrei sexta e sábado. Fizemos um treino com torcida para eles sentirem o calor humano. Nossa equipe é bastante jovem e pegou o Cruzeiro, time experiente, num jogo só com torcida deles. Todo mundo da nossa equipe queria ganhar e tinha motivação, mas era um time de meninos com pressão de todos os lados e realmente ninguém jogou bem.
Mas o resultado acabou sendo atípico...
Foi um dia em que tudo deu certo para eles. O Cruzeiro chutou quatro vezes a gol no primeiro tempo e fez quatro gols. Eu, ainda no primeiro tempo, tirei um meia (Serginho) e coloquei o Magno Alves para tentar reverter o placar. Ficamos até à mercê de tomar mais gols. Logo depois do primeiro gol, pudemos empatar, mas o Fillipe (Soutto) chutou para a fora. O Cruzeiro deu nove finalizações e nós demos 14. A gente ia muito bem em Sete Lagoas, mas com nossa torcida presente.
E no intervalo? Com o time perdendo de 4 a 0, como foi o clima?
O intervalo da partida foi bastante cobrado, com os jogadores se cobrando. "Não foi como combinamos", diziam. O Cruzeiro foi muito preciso e tivemos a chance até de empatar.
Como foi a reação do resultado da partida ter influenciado na queda do Atlético?
A coisa que eu mais queria era ajudar meus amigos Antônio Lopes e Riva Carli. Eu estou mais p... que todo mundo, pois botou em xeque toda a nossa recuperação. Estou mais p... até mais que o presidente (Alexandre Kallil). Agora, o Atlético sai rebaixado e com moral e o Atlético-MG sai salvo, mas tendo de recuperar toda a nossa imagem. O presidente tem razão de estar assim. Ele não pôde ir pois era jogo de uma torcida só e viu o jogo pela TV e reagiu como qualquer dirigente. Estou muito tenso e agitado, não consegui dormir depois do jogo ainda. Precisamos tomar isso como lição. A torcida foi nos pressionar depois na porta do CT. Vamos ter de mudar muita coisa na montagem e na gestão do time.
É a terceira vez que acontece de um time comandado por você estar envolvido num rebaixamento de equipe paranaense (em 2005 salvou o São Caetano na luta contra o Coritiba; em 2009, livrou o Fluminense também brigando com o Coxa)...
Eu gosto do Atlético, mas não tem como colocar a culpa em mim. Se tivesse conquistado alguns pontos importantes, não estaria dependendo de outros resultados. Acho que o clube pode tirar proveito do rebaixamento. O Corinthians e o Vasco caíram e foram conquistar títulos depois. O Coritiba fez esta bela campanha. O Palmeiras caiu e voltou com vários ótimos jogadores da base, como Vagner Love. O Galo já caiu e voltou. O rebaixamento não é o fim do mundo e sim um começo. A própria reação da torcida quando caiu, cantando e apoiando, é demonstração de grandeza.



