• Carregando...
Vídeo |
Vídeo| Foto:

Sonhos & metas

"Um dos meus sonhos é poder voltar a lutar no Brasil, lutar em casa. E eu até sugeri ao presidente do Pride que uma edição do torneio rolasse aqui no nosso país. Ele gostou da idéia, e me prometeu que se conseguírmos levar o vale-tudo para televisão aberta, isso irá acontecer", contou

Depois de seis anos como campeão absoluto do cinturão dos Médios do Pride, um dos principais torneios de vale-tudo do mundo, o lutador paranaense Wanderlei Silva perdeu o seu título no fim do mês de fevereiro, quando acabou derrotado pelo norte-americano Dan "Hendo" Henderson por nocaute. Passado um mês desde então, após um breve período com a família, Silva já recomeçou o seu trabalho para retornar ao topo da competição que o consagrou no Brasil e no exterior.

"Sou um cara muito otimista, tudo acontece por uma razão. Essas derrotas contribuíram para me motivar ainda mais, afinal, quando você está em baixa, a única coisa que pode acontecer é subir. E eu estou trabalhando duro pra isso", assegurou o lutador da Academia Chute Boxe, em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo Online. Nas últimas duas lutas, além de Hendo, outro grande nome do MMA (Mixed Martial Arts, como é conhecido o vale-tudo mundo afora), o croata Mirko Cro Cop, derrotou Silva. Entre as duas derrotas, duas diferenças.

No ringue do Thomas & Mack Center, em Las Vegas, Wanderlei Silva enfrentou a força do público local, que apoiou maciçamente o seu adversário na luta pelo cinturão. Porém, antes mesmo do gongo soar, problemas deixaram a vida do "Mr. Pride" – como Silva ficou conhecido entre os fãs do Pride – mais complicada. "Fui surpreendido pelo outro atleta (Henderson), e isso acontece com qualquer um. Além disso, estava frio, muito frio nos Estados Unidos, eu treinei semana toda (antes da luta) lá, e peguei uma gripe. Não sei se isso influenciou ou não, e eu também não posso tirar o mérito do cara, e independente disso, estou correndo atrás agora", contou Silva.

Já contra Cro Cop, em um desafio contra um lutador mais pesado, o paranaense credita a derrota a uma tática errada. "Acho que não fui bem, me afobei, e ele teve seus méritos, estava na noite dele", resumiu. Deixando de lado as derrotas, coisa rara em um cartel de 40 lutas – 32 vitórias, um empate e sete derrotas – em 11 anos de carreira, Silva já foca seus pensamentos no futuro, ainda incerto, mas que promete trazer de volta o gostinho das vitórias. "Ainda estou aguardando pra saber com quem vou lutar, de que evento vou participar. Estamos negociando com o Pride e com outros eventos, e quem decide com quem eu luto são os organizadores. Creio que vamos definir isso ainda nessa semana, e independente de onde eu lutar, estarei pronto pra vencer", afirmou.

Adversários

Após os últimos insucessos, muitos desafetos de Wanderlei Silva resolveram aproveitar a oportunidade para alfinetar o lutador. Um exemplo foi Dana White, presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), que falou que o resultado contra Hendo já era imaginado, mas queria ver o norte-americano Chuck Liddell, lutador do UFC, nocautear o paranaense em uma luta que já virou "novela", como o próprio Silva define. E o tom da resposta é irônico. "Como diz aquele ditado, ‘quem desdenha quer comprar’. Agora essa luta (contra Liddell) está difícil de acontecer, mas uma hora ou outra vai rolar. Nossos estilos de luta casam, podemos fazer um combate bem interessante para o público, mas quanto mais demorar, mais velho ele vai ficando e é pior pra ele", disse Silva.

Já outro brasileiro, o carioca Vítor Belfort, um dos poucos que venceram o lutador da Chute Boxe, assegurou que a derrota de Wanderlei Silva prova que "o seu queixo não é bom" – referindo-se ao golpe que nocauteou o paranaense em Las Vegas, e semelhante ao desferido por Belfort na luta entre os dois, em 1998. E Silva prefere não polemizar. "Nessas circunstâncias, eu uso uma frase do Nelson Rodrigues, que diz que ‘palpite não se discute’. É a opinião do cara", minimizou o lutador.

Maurício Shogun

Se para alguns o ex-campeão do Médios do Pride está deixando de ser o principal nome da Chute Boxe, academia curitibana que é referência nas artes marciais, abrindo espaço para o também paranaense Maurício Shogun, o próprio Wanderlei Silva acha que o companheiro de treinamento está ganhando o seu espaço com méritos. "Ele só está lutando com pedreiras, e está ganhando bem dos caras, com sobras. Não vejo ninguém atualmente que possa ganhar dele", analisou.

Sobre uma possível disputa do cinturão entre Shogun e seu algoz, Hendo, Silva deixa claro que sairia vencedor na sua opinião. "Acho que ele atropela o Henderson. Tem gente que não reconhece os méritos dele, mas com certeza o Maurício é um dos melhores do mundo atualmente, e ele vai mostrar isso pra quem ainda não acredita", concluiu Silva.

Revanche

Wanderlei Silva garante que não escolhe ou tem preferências pelo seus próximos adversários. Contudo, a única luta que o lutador anseia é a revanche contra Dan Henderson, o atual dono do cinturão dos Médios. "Eu gostaria dessa luta, dessa revanche, acredito que eu tenho plenas condições de derrotá-lo. Espero que quando ele voltar a lutar, eu seja escolhido pelos organizadores do Pride como o seu adversário", comentou, lembrando que o norte-americano está lesionado e não deve colocar o título em jogo neste semestre.

Novos projetos

Durante o tempo em que esteve longe dos treinamentos, Silva procurou ajudar crianças carentes da Grande Curitiba. "Estou com um novo projeto, fazendo doações de cestas básicas às crianças da Vila Zumbi (em Colombo). Consegui arrecadar, com o apoio de alguns amigos empresários, 300 cestas, além de chocolates nessa proximidade com a Páscoa. Isso vai dar alegria para essas crianças, e eu gosto muito de ajudar sempre que possível", explicou.

Dentro dos ringues, além de voltar a vencer, Silva planeja investir no vale-tudo brasileiro por conta própria. Uma iniciativa pode ser trazer o Pride para o Brasil. "Um dos meus sonhos é poder voltar a lutar no Brasil, lutar em casa, onde o público interage mais, mesmo estando de fora. E eu até sugeri ao presidente do Pride (Nobuyuki Sakakibara) que uma edição do torneio rolasse aqui no nosso país. Ele gostou da idéia, e me prometeu que se conseguírmos levar o vale-tudo para televisão aberta, isso irá acontecer. E eu acredito que isso possa se tornar realidade, estive em contato com duas emissoras sobre essa possibilidade, e estou estudando bancar um horário para o esporte estourar de vez. Antigamente era inviável, mas hoje já temos um público cativo", assegurou Silva.

A possibilidade de fusão entre Pride e UFC, que vem sendo comentada no exterior, também é vista com bons olhos por Silva. "Eu acho isso natural, os caras querem reunir os melhores, e atualmente está difícil segurar os lutadores em um torneio só, com exclusividade. Acho que no futuro os lutadores serão meio que ‘freelancers’, vão lutar na competição que pagar mais, sem ficarem presos a ninguém. Creio que os confrontos iriam ficar mais clássicos, e isso também iria ser bom financeiramente para quem promove".

O apoio dos fãs também não é esquecido. "Eu tenho recebido muitas mensagens de apoio no meu site, e isso faz com que a gente não abaixe a cabeça, continue em frente, e eu quero agradecer a todos. Estou treinando novamente para voltar a lutar e vencer, e pro pessoal que acompanha o meu trabalho também ficar feliz, tanto quanto eu", finalizou Silva.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]