
O novo técnico do Coritiba René Simões chegou ao clube na semana passada prometendo uma "chacoalhada" no elenco alviverde. E ele precisou lançar mão o artifício logo na sua estréia à beira do gramado, na noite de sexta-feira (15), no Couto Pereira. Com um bom número de torcedores coxas-brancas nas arquibancadas, o Verdão correu muito para virar a partida em cima do Brasiliense e vencer por 2 a 1.
O pulso forte do treinador foi necessário, principalmente depois do primeiro tempo ruim realizado pelos seus comandados. Sem a inspiração dos donos da casa, os jogadores do Jacaré aproveitaram um contra-ataque para marcar o seu gol, contando com a ajuda do goleiro Édson Bastos. Irritada, a torcida pedia uma reação do Coxa, mas dentro de campo faltava velocidade e inspiração.
Para piorar, Marlos deixou o time ainda na etapa inicial lesionado, mas as entradas de Caíco, e depois de Gustavo, mudaram o panorama do jogo. O Coritiba cresceu, para então pressionar o acuado Brasiliense. E de tanto insistir, a equipe fez o primeiro de pênalti, e o outro com muito oportunismo de Gustavo, autor do seu primeiro gol com a camisa alviverde.
Com o resultado, o Alviverde assumiu provisoriamente a vice-liderança da Série B, com 12 pontos. Na próxima rodada, o Coritiba vai até o Nordeste enfrentar o Ceará. Já o Jacaré joga em casa na próxima terça-feira (19), diante do Ipatinga-MG.
Com um aproveitamento de 50%, visitantes saem na frente
Durante a semana, Simões divulgou uma carta pedindo o apoio e a presença da torcida no Couto Pereira. Cerca de 11 mil vozes atenderam ao pedido do treinador coxa-branca e empurraram a equipe desde o início. Contudo, o jogo começou igual, com as defesas bem postadas em suas respectivas intermediárias, e os passes errados dominando o meio-campo.
Apesar disso, o Coxa se saiu melhor, e procurou mais o gol desde o princípio. Porém, nenhuma jogada mais incisiva foi criada pelo quarteto ofensivo, mesmo com muita vontade. Já os visitantes tentavam encaixar algum contra-ataque, tocando muito a bola. Mas sem arremates ao gol.
Quando o primeiro chute do Jacaré veio, o goleiro Edson Bastos colaborou. Alan Delon arrematou de longe, a bola fez uma leve curva, e o arqueiro acabou aceitando. Este e um chute de Dimba foram os dois únicos chutes do Brasiliense contra a meta coxa-branca - o que resultou em um aproveitamento ofensivo de 50%.
Foi o que bastou para a paciência dos torcedores acabar. Sem muita organização, com muito pouca velocidade, e um excessivo número de toques para trás, os protestos começaram.
O Alviverde quase conseguiu o empate em uma única descida pela esquerda, com Fabinho, mas sem fazer o goleiro Guto trabalhar. Antes do fim do primeiro tempo, Marlos saiu machucado, o que piorou ainda mais a produção ofensiva do Coxa. Na saída do gramado após os primeiros 45 minutos, os gritos de "Vergonha" ecoavam nas arquibancadas do Alto da Glória. Menos satisfeito ainda estava René Simões.
Gustavo entra e muda a partida
Com a obrigatoriedade de não tropeçar mais uma vez em casa, o técnico resolveu tirar o volante Juninho para a entrada do atacante Gustavo. E a aparição do "raçudo" jogador deu nova cara ao Verdão. O Brasiliense seguiu com a sua postura de marcar mais adiantado, mas a velocidade alviverde na frente fez os visitantes recuarem.
A pressão começou a ficar cada vez maior, com jogadas pela direita com Ivo, e pela esquerda com Fabinho, deixando o torcedor com o grito de gol entalado na garganta a cada descida ao ataque. O lateral-esquerdo chegou a perder duas boas chances do empate, mas o tento acabou saindo em uma jogada envolvendo Gustavo.
O atacante foi tocado dentro da área após cruzamento e o árbitro José Acácio da Rocha não teve dúvidas ao assinalar o pênalti. Na cobrança, Anderson Lima bateu, a bola resvalou caprichosamente na trave, antes de entrar e motivar todos no Alto da Glória. O ritmo alucinante do Coritiba não cessou após o empate, e a busca pela virada virou palavra de ordem.
E coube ao principal personagem da mudança de postura dos coxas-brancas marcar o segundo gol do Alviverde. Gustavo recebeu cruzamento de Fabinho e não perdoou. A estufada de redes assinalada foi a primeira do jogador com a camisa do clube. No final, o Jacaré esboçou uma reação, teve algumas chances para o empate, mas a noite era verde e branca.
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