
Daqui a cinco dias, o torcedor do Coritiba reviverá a emoção de assistir ao time do coração em seu próprio estádio. Parece pouco, para quem passou 99 dos seus 100 anos fazendo do campo uma arma. Mas a pena imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em função da barbárie de 6 de dezembro do ano passado colocou o Coxa durante 10 partidas longe do Couto Pereira. O tempo, que parecia não passar, passou. Ou quase. Quando chegar o dia 18, e o torcedor puder ver a equipe em campo contra a Portuguesa, Joinville será apenas história.Para a volta, muitas ações preparadas. "Colocamos novas torres de iluminação, holofotes, recuperamos o gramado, pintamos toda a parte interna, renovamos banheiros e vestiários, retrabalhamos a parte elétrica, que era de 1967, e uma série de outras coisas", enumerou o vice-presidente Vilson Ribeiro de Andrade, comemorando a volta e um objetivo: manter o quadro associativo em alta. O número, que era cerca de 11 mil em 2009, baixou a 2,5 mil e, mesmo com 10 jogos em Joinville, começa esse novo período com, aproximadamente, 8 mil adimplentes."É uma campanha voltada inteirinha para motivar o associado e o torcedor", diz Vilson, sobre as ações do clube na tevê, rádio, mídias sociais e até mensagens de voz dos jogadores a torcedores cadastrados e associados. Tudo para o resgate financeiro do clube, baseado nos sócios. Jogadores e o técnico Ney Franco estão com o discurso afinado: "Qualquer equipe é dependente do seu torcedor", falou Franco. Uma nova campanha de televisão e rádio vai ao ar hoje. O conteúdo é guardado a sete chaves.
Quem for ao jogo no sábado vai encontrar uma "maquiagem" na fachada do Couto Pereira: painéis ao redor do estádio com frases de torcedores dizendo o que o Couto representa em suas vidas. Dentro, um Green Hell diferente. Com a proibição de fogos em estádios, a festa será com papel picado e fumaça verde e branca. E algumas ações promocionais "Temos algo com os patrocinadores. E há uma ideia de que profissionais possam descer de paraquedas com saudações aos torcedores", confidenciou Andrade. Ainda haverá uma preliminar entre garotos do Coritiba e um time escolar de Joinville. A cidade catarinense, aliás, será homenageada pelo clube, com presença do prefeito da casa provisória alviverde.
A diretoria espera um público acima de 25 mil torcedores, muitos dos quais pretende transformar em sócios. Uma das ações de retorno foi a criação do programa de atendimento móvel, carros que circulam por Curitiba, região metropolitana e algumas cidades do interior tentando associar torcedores.
Vilson Andrade, que reconheceu um prejuízo de R$ 12 milhões com despesas e a perda de receita de jogos, sócios e patrocínio no período, projeta: "O retorno vai ser fundamental nesse sentido. Os nove jogos [ restantes na Série B] vão minimizar o prejuízo, mas não irão recompor a receita." E, em campo, a cereja do bolo: o jogo. Um dos atletas mais ligados ao clube, o goleiro Édson Bastos, espera outro lucro: "Que o Couto Pereira volte a ter aquela energia positiva."
Campanha em Joinville permite repetir desempenho de 2007
A campanha irreparável para quem atuou 10 vezes com mando seu longe de casa permitirá ao Coritiba reeditar o desempenho caseiro no acesso e título em 2007, quando também disputou a Série B. Naquele ano, sob o comando de Guilherme Macuglia e depois René Simões, o Coxa disputou 19 jogos no Couto Pereira. Venceu 15, empatou 2 e sofreu 2 derrotas: uma para o São Caetano (1 a 0), quando Macuglia foi demitido e outra para o Marília (3 a 2), no dia em que poderia ter conquistado, antecipadamente, a taça, o que só foi acontecer na última rodada, no Recife, contra o Santa Cruz (3 a 2).
É bem verdade que para repetir o feito terá de ter 100% de aproveitamento daqui em diante serão nove jogos até o final do campeonato. Isso porque, este ano, em Joinville, o Coxa já empatou duas (1 a 1 com o América-MG e 0 a 0 com Bragantino) e perdeu duas (2 a 1 para o São Caetano e 2 a 0 para o Duque de Caxias). "O torcedor está eufórico, mas tem de vir ciente de que vamos encontrar dificuldades. Não é o retorno que vai nos fazer ganhar todos os jogos. Do outro lado vai ter uma equipe e nós vamos ter que fazer por onde", disse o goleiro Édson Bastos, um dos remanescentes daquela campanha.
Também foi no Couto Pereira que o Coritiba estabeleceu o recorde de público daquela competição. Precisamente 38.689 assistiram a Coritiba 2 x 3 Marília no dia 16 de novembro, na 37.ª rodada.
Se em Joinville, agora, a média de público ficou abaixo dos 2,5 mil torcedores, em 2007, jogando em casa, chegou a 17 mil por partida o 3.°, atrás de Santa Cruz e Vitória. Também houve lucro, sendo o time líder em arrecadação: R$ 253.648,84.
Tudo isso faz com que o retorno seja o Eldorado Coxa depois da tempestade do centenário. E em campo também. "Ganha com certeza o apoio da torcida, porque a gente passou o ano inteiro jogando longe", reconhece o meia Enrico.







