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Coritiba

Defesa invocará crime passional para aliviar pena

Caso  a punição pedida pela procuradoria do STJD se concretize, o Coxa pode passar todo o ano de  2010 sem atuar no Couto Pereira | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Caso a punição pedida pela procuradoria do STJD se concretize, o Coxa pode passar todo o ano de 2010 sem atuar no Couto Pereira (Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo)

Uma analogia ao crime passional, que ocorre por amor, deverá ser a principal tese utilizada pelo Coritiba para tentar atenuar a punição do clube pela selvageria ocorrida no Couto Pereira, do­­mingo passado. O Alviverde será julgado na terça-feira no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e corre o risco de só poder voltar a jogar em seu estádio em 2011.

O procurador geral da entidade, Paulo Schmitt, pede a condenação do Coxa com a perda de 30 mandos de campo e aplicação de uma multa de R$ 620 mil. Ele considera que o clube foi responsável pelo ocorrido, por falta de infraestrutura e também por não tomar as medidas necessárias de segurança.

A denúncia é inédita na Justiça esportiva brasileira e fez o Cori­­tiba criar uma comissão de advogados ilustres para formar a defesa do clube. Quem deverá estar à frente dela é o jurista René Dotti. Coxa-branca, ex-diretor jurídico do clube na época de Evangelino Costa Neves e que – neste mo­­mento tão importante quanto a sua história – estava nas arquibancadas do Couto Pereira no dia da queda.

"Muitas vezes não se consegue conter a paixão humana. Existe até a questão do crime passional. É parecido com o torcedor, que, frustrado, procura destruir o que é mais importante para ele, que é o clube", afirmou Dotti, por tele­­fo­­ne, do Rio de Janeiro. "O clube não pode ser responsabilizado pelo estado de paixão de seu torcedor. Tecnicamente o Coritiba fez o que era possível."

O grupo também contará com o diretor jurídico do Alviverde, Gustavo Nadalin, mais Júlio Brotto e Francisco Zardo, do escritório de Dotti. Eles se reunirão este fim de semana para concluir toda a argumentação e estratégia que, em um primeiro momento, tentará separar o clube dos acontecimentos, ligação sempre presente quando as imagens da luta campal são exibidas.

"Não é possível demonizar o Coritiba por um ato de paixão de seu torcedor, por um fenômeno que pode revelar carência de policiamento", disse Dotti, revelando também um outro lado a ser ex­­plorado: a culpa do Estado. "Nós sabemos de antemão que a violência tem ocorrido com frequência depois dos jogos. Penso que o Estado não pode transferir essa responsabilidade a uma entidade esportiva. É como se a região em que você mora tivesse muitos roubos e, por isso, você não abrisse mais a porta da sua casa."

A defesa no tribunal, contudo, deverá ser feita pelo advogado José Mauro Couto Filho.

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