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Mundial de Clubes

Deuses e Santos

Barcelona comanda 71% das ações contra o Santos, troca 768 passes, marca quatro gols e faz time brasileiro se curvar na decisão de Yokohama

 | Yoshikazu Tsuno/ AFP
(Foto: Yoshikazu Tsuno/ AFP)
Jogadores do Barcelona festejam o título mundial no círculo central do estádio de Yokohama |

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Jogadores do Barcelona festejam o título mundial no círculo central do estádio de Yokohama

O maestro: Lionel Messi marcou dois gols, ganhou o prêmio de melhor jogador do torneio e – de quebra – levou um carro de prêmio para casa |

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O maestro: Lionel Messi marcou dois gols, ganhou o prêmio de melhor jogador do torneio e – de quebra – levou um carro de prêmio para casa

Puyol levanta a taça de campeão mundial. Pela segunda vez na história o Barcelona chega ao topo |

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Puyol levanta a taça de campeão mundial. Pela segunda vez na história o Barcelona chega ao topo

"O Barcelona é o melhor time do mundo. E hoje [ontem] nós aprendemos a jogar futebol. O que a gente viveu aqui precisa ser levado para o Brasil. Foi um aprendizado."

A frase de um cabisbaixo Neymar, logo após a vitória do Barcelona sobre o Santos, define exatamente o que foi a decisão do Mundial de Clubes, em Yokohama: uma aula.

Não bastasse o placar contundente de 4 a 0 para os espanhóis, outro número reforça a tese que foi um passeio catalão. Durante os 91 minutos do confronto, o Barcelona ficou com 71% da posse de bola. Um massacre que chegou a 74% de domínio no fim do primeiro tempo – e 768 passes.

Troca de passes constantes e 16 chutes a gol por parte dos europeus também servem de endosso para a tese do craque brasileiro. Messi foi o melhor em campo e ganhou o carro dado pelo patrocinador da Fifa. Mas o prêmio poderia ser para Xavi, Iniesta, Daniel Alves, Fabregas...

"Não foi o resultado que queríamos, mas ser o segundo melhor time do mundo já é uma satisfação muito grande. Levamos esse jogo como lição. Se o Santos se impuser como o Barcelona , vai ser vitorioso. Vamos trabalhar para voltar aqui ano que vem", seguiu o atacante santista, resignado. Ele levou como consolação a Bola de Bronze, dado ao terceiro melhor do torneio da Fifa – Xavi ficou em segundo e Messi foi o craque da competição.

PH Ganso, que pouco tocou na bola, também falou em aula de futebol. O meia enfatizou que o rival é uma equipe muito difícil de ser marcada e que erra muitos poucos passes. "Foi um aprendizado muito grande. Se pudessemos jogar de volta, teríamos que colocar mais jogadores para marcar eles", falou o meia.

O goleiro Rafael foi outro santista que ficou espantado com a superioridade do adversário. Segundo ele, mesmo com todo o esforço, é difícil encarar o Barça. "Nós tentamos, corremos, mas a equipe deles é fantástica, tem um toque de bola tremendo. Eles não guardam posição, têm movimentação intensa e fazem trocas de passes brilhantes", elogiou com semblante triste o goleiro do Peixe.

A partida foi definida basicamente no primeiro tempo, com os gols de Messi (17/1º), Xavi (24/1º) e Fabregas (45/1º). Após o intervalo, o Barcelona seguiu dominando a partida e fechou com Messi (37/2º).

Foi o segundo mundial do Barça, repetindo o feito de dois anos atrás. O time azul-grená conquistou praticamente todas as competições em que esteve sob o comando do técnico Pep Guardiola – ganhou 13 das 16 disputadas. A partir da temporada 2008/2009, o time faturou os três títulos do Campeonato Espanhol que disputou, além de dois da Liga dos Campeões da Europa, dois da Supercopa da Europa, dois da Supercopa da Espanha, um da Copa do Rei e agora dois do Mundial.

O trocadilho – comum nos principais sites espanhóis – é válido: o jogo foi de Deuses contra Santos.

Guardiola exalta força nas categorias de base

Desde que Pep Guardiola assumiu o comando, em agosto de 2008, o Barcelona já ganhou 13 títulos em 16 competições disputadas – só não levou a Copa do Rei de 2010 (eliminado pelo Sevilla) e a de 2011 (perdeu a final para o Real Madrid), além da Liga dos Campeões da Europa na temporada 2009/2010 (caiu na semifinal diante da Inter de Milão). Ontem, ele aumentou a coleção.

"Ganhar tantos títulos fala por si só. Nosso grande trunfo é o espírito competitivo de nossos jogadores. Eles têm um mérito enorme por se manterem no topo", afirmou ele, que ainda ressaltou o estilo de jogo da sua equipe. "São três anos e meio à frente do Barcelona para implementar esse estilo de jogo."

O apetite insaciável por conquistas pode levar o time a ganhar mais três troféus na temporada: Campeonato Espanhol (está em segundo lugar, a três pontos do Real Madrid), Copa do Rei e Liga dos Campeões (enfrentará o Bayer Leverkusen nas oitavas de final, com a vantagem de fazer a partida de volta em casa).

Para conseguir tais feitos, o Barcelona aposta basicamente em jogadores das suas categorias de base. Do time titular na decisão contra o Santos, apenas os laterais Daniel Alves e Abidal não foram formados pela equipe. "Nós formamos nossos jogadores, quase todos custaram zero euro. Jogamos com nove jogadores formados no clube", disse.

Com tantos jogadores formados em casa, o Barça consegue ter um estilo de jogo bem definido, com intensa troca de passes. "Temos jogadores que não perdem a bola. Eles trocam passes e se associam através da bola para criar chances de gol. É simples", explicou.

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