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Finanças

Diminuir para crescer

Escapar de patrimônio ocioso e deficitário. Esta é a alternativa encontrada pela diretoria do Paraná – clube que completa 21 anos neste domingo – para atenuar crise financeira

 | Walter Alves/ Gazeta do Povo
(Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo)
Sede social da Vila Olímpica (foto acima) e do Tarumã: patrimônio deficitário que pode ser arrendado pela diretoria do clube em 2011 |

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Sede social da Vila Olímpica (foto acima) e do Tarumã: patrimônio deficitário que pode ser arrendado pela diretoria do clube em 2011

Se fosse antes do Código Civil de 2003, que redefiniu o começo da maioridade para 18 anos, o Pa­­ra­­ná poderia dizer que estaria tornando-se "adulto" neste domingo. Após 21 anos da fu­­são envolvendo Colo­­rado e Pi­­nheiros, o Tricolor comemora o ani­­versário depois de uma temporada ruim nos gramados e nas fi­­nanças. Mas há uma esperança no combalido orçamento do clube que nasceu com a pecha de milionário.

Com um patrimônio envolvendo cinco sedes – Kennedy, Vila Capanema, Vila Olímpica, Tarumã e Quatro Barras –, o clube tenta se reorganizar para se tornar sustentável. A saída encontrada, mesmo polêmica, já foi anunciada: negociar algum imóvel.

De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo paranista, Benedito Barboza, é necessário que exista uma mudança na relação patrimonial. "[O atual complexo] Pode ser um diferencial em termos de grandeza, mas também pode ser um problema – es­­pecialmente se nós não conseguirmos achar as alternativas pa­­ra o uso racional das áreas que possuímos. Hoje, por exemplo, algumas são deficitárias."

Com relação às sedes que dão prejuízo, segundo o presidente Aquilino Romani, existem estudos para arrendar duas delas. "Nós temos hoje o Tarumã, que chegamos muito próximo de alugar. Existem três, quatro empresas interessadas, em uma área que hoje tem uma avaliação em torno de R$ 25 milhões. Há ainda a Vila Olímpica, a parte das piscinas, onde já há uma proposta no papel, que será levada à diretoria para que a aluguemos", garantiu o dirigente.

Apesar da necessidade de pelo menos não ter mais que pagar os custos destas sedes, Romani ga­­rante que não haverá perdas. "Uma coisa é certa: na minha gestão nós não vamos vender área ne­­nhuma do clube", garantiu.

Com isso, a diretoria paranista tenta fugir da política que marcou o clube no final da década de 90. Na época, o antigo Britânia, na Avenida das Torres, foi alugado para o grupo Sonai e logo em seguida vendido, tornando-se hoje um supermercado.

Para o presidente na ocasião, Ernani Buchmann, a terceirização da área foi muito importante. "O arrendamento foi uma grande solução, porque nós recebemos na época US$ 2 milhões por 40 meses de contrato e eles passariam a pagar, a partir do 41.º mês, um porcentual sobre as vendas do supermercado. Isso se estima hoje que estaria talvez US$ 65 mil por mês, em torno disso", contou o publicitário, lembrando que o contrato valia por 20 anos, podendo ser renovado por mais 20.

"Depois de 40 anos, em 2037, retornaria todo o patrimônio ao clube, todas as instalações do arrendatário", fecha o ex-dirigente.

Porém, quase dois anos depois, o presidente Dilso Rossi vendeu o terreno por R$ 4,8 milhões, alegando que precisava de recursos financeiros. "O Dilso diz que en­­controu o clube sem dinheiro, e encontrou mesmo. Dinheiro não tinha. O que tinha eram dívidas. Agora, futebol é feito de ser fazer dívidas também, você tem de contrapor a razão e a emoção", admitiu Buchmann.

Hoje, aos 21 anos, o Paraná se­­gue no emaranhado de dívidas. Mas, com fé. Se o arrendamento das duas sedes pode ajudar nas contas, o Tricolor também pensa em melhorar a sua parte social, incluindo um novo estacionamento na sede da Kennedy, uma promessa de campanha de Ro­­mani. "Com melhorias conseguiremos alugar um valor maior o nosso salão social também, que é uma renda já boa que nós temos durante o ano", citou o presidente.

No entanto, os sócio-olímpicos do clube podem não ter uma surpresa digna de um dia de aniversário. "Nós queremos talvez ampliar também um pouquinho a taxa de manutenção, que é baixa hoje. Nós temos comparativos, hoje a nossa taxa é R$ 95 e nós te­­mos visto outros clubes que gi­­ram um pouquinho acima disso, cerca de R$110, R$120, só que sem futebol", disse Romani.

"Tivemos um aumento neste ano, voltado exclusivamente pa­­ra poder fazer a atualização monetária [passou de R$ 70 pa­­ra R$ 95]. Agora, se o presidente apresentar um projeto e nesse projeto o au­­mento estiver atrelado a uma excessiva melhoria da parte social, com certeza o Conselho Delibe­­ra­­ti­­vo deverá receber bem isso. Se vai aprovar ou não, são outros quinhentos", ponderou Barboza, confiante que terá mais motivos pa­­ra comemorar o 19 de dezembro.

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