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A corrida presidencial de 2026 já contabiliza um grupo expressivo de partidos que optou por não apoiar nenhum candidato ao Palácio do Planalto no primeiro turno. Até esta terça-feira (4), sete siglas haviam oficializado a neutralidade: MDB, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos, PSDB e Cidadania.
Embora duas das decisões tenham sido tomadas por federações — União Progressista e PSDB/Cidadania —, este levantamento contabiliza individualmente os partidos que as integram.
Em comum, os partidos alegam a necessidade de preservar alianças estaduais e evitar que um alinhamento nacional prejudique disputas por governos estaduais e vagas no Senado.
Para o Partido Liberal (PL), contudo, a sequência de decisões representa um revés na estratégia de ampliar sua coalizão em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ).
PP e União Brasil abriram o movimento de neutralidade
PP e União Brasil foram os primeiros partidos a caminhar para a neutralidade. Dirigentes da federação, formada pelas duas legendas, decidiram em 22 de julho não participar da chapa presidencial do PL e liberar os diretórios estaduais para definir seus próprios apoios.
Naquele momento, o PL negociava a entrada da federação na aliança de Flávio Bolsonaro e trabalhava com a possibilidade de indicar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a vaga de vice-presidente.
Depois da decisão da federação, as duas siglas também formalizaram individualmente a posição em suas convenções nacionais.
O PP anunciou a neutralidade em 31 de julho. Em nota, o partido afirmou que manteria "uma posição de independência" na disputa presidencial e que a decisão permitiria aos diretórios estaduais conduzirem suas próprias alianças.
Já o União Brasil confirmou a posição nesta terça-feira (4), durante convenção nacional. O partido afirmou que a neutralidade permitiria que seus candidatos apoiassem, nos estados, "os presidenciáveis que melhor se ajustem às articulações regionais e locais".
O presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, afirmou que a decisão refletia a "maturidade política" da sigla.
"Tenho consciência do peso político que a Federação União Progressista tem nacionalmente e que temos nomes extremamente preparados para todos os cargos. A posição que estamos adotando reflete a nossa maturidade política", declarou.
Republicanos rejeita convite para indicar vice
Após a decisão da federação União Progressista (PP-União Brasil), o PL concentrou esforços para atrair o Republicanos para a chapa de Flávio Bolsonaro.
A legenda, no entanto, decidiu permanecer neutra. Em convenção nacional realizada na segunda-feira (3), o Republicanos aprovou a posição e liberou seus diretórios estaduais para construir alianças locais.
Em comunicado, o partido afirmou que a decisão buscava "preservar a autonomia dos estados" e permitir que suas lideranças locais definissem as alianças consideradas mais adequadas para cada região.
Nos bastidores, integrantes do PL defendiam que a legenda indicasse uma mulher para ocupar a vaga de vice, com o objetivo de ampliar o alcance eleitoral da candidatura.
Entre os nomes cogitados estava a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da equipe responsável pela elaboração das propostas econômicas da pré-campanha de Flávio.
Podemos descarta participação na chapa presidencial
O Podemos também rejeitou a possibilidade de integrar a chapa do PL e confirmou neutralidade após reunião com os diretórios estaduais, nesta terça-feira (4).
A presidente nacional da legenda, a deputada Renata Abreu, comunicou a decisão em vídeo divulgado após a reunião.
Segundo a dirigente, o partido decidiu manter independência para participar das articulações estaduais.
A definição também retira a própria presidente do Podemos das especulações para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
MDB evita apoio nacional para preservar alianças
Em convenção nacional realizada em 27 de julho, o MDB também decidiu permanecer neutro na disputa presidencial de 2026 e liberou os diretórios estaduais para definirem seus próprios apoios eleitorais.
O presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi, afirmou que o partido avaliou a neutralidade como a melhor estratégia diante do cenário eleitoral.
"Nossa vontade sempre é ter candidatura própria, mas vivemos um momento de muita radicalização", declarou.
Segundo Rossi, a decisão permite que o partido mantenha participação nas discussões nacionais sem restringir as alianças estaduais.
"O MDB tem uma história de fazer a diferença nas grandes discussões do país", afirmou.
PSDB e Cidadania mantêm neutralidade pela federação
A Federação PSDB/Cidadania também decidiu ficar fora da disputa presidencial.
A decisão ocorreu após o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, desistir da pré-candidatura ao Planalto.
Segundo o Metrópoles, a legenda passou a defender uma posição de neutralidade na eleição presidencial, sem apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta terça-feira (4), Aécio afirmou que o PSDB não terá candidato próprio e que a sigla precisa reorganizar sua estratégia política.
A pré-candidatura do tucano havia sido aprovada anteriormente pela Federação PSDB/Cidadania, mas a retirada do nome levou o grupo a abandonar a disputa presidencial.







