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Mercado

Espanha ignora ‘pé de obra’ do Brasil

Campeões do mundo colocam os boleiros do país em segundo plano na hora de contratar. Dos 1.063 brasileiros que atuam fora, apenas 25 jogam na elite espanhola

Muitos jogadores brasileiros jogam na Europa, poucos em ligas principais; Veja infográfico |
Muitos jogadores brasileiros jogam na Europa, poucos em ligas principais; Veja infográfico (Foto: )

Inabalável, o futebol do Brasil segue como o principal exportador de "pé de obra". Não por acaso que, chegando ao final de 2011, são 1.063 boleiros do país atuando nas 60 maiores ligas pelo mundo afora. Mas o "produto" tem certa dificuldade de entrar no mais seletivo mercado: a Espanha.

Curiosamente o solo espanhol representa apenas 2,4% desse total, com 25 jogadores atuando na Primeira Divisão. É o oitavo principal destino brasileiro, que tem Portugal, Japão e Itália no topo da lista. Os dados são do 1.º Painel Pluri Futebol 2011, da Pluri Consultoria.

Apesar de ter uma pequena participação no total, no país campeão mundial vale a máxima de que o importante é a qualidade e não a quantidade. Quan­­­­do é levado em conta o valor de mercado dos atores da bola, a terra de Barcelona e Real Madrid se destaca. Só os brasileiros, juntos, valem R$ 490 milhões. Nú­­mero inferior apenas ao da Itália (R$ 582 milhões). O país da bota, entretanto, tem nove brasileiros a mais.

São nomes como o do lateral-direito do Barcelona, Daniel Al­­ves, o 19.º mais valioso do mun­­do (R$ 86,6 milhões). Ou de Kaká e Marcelo (R$ 73,2 e 61 mi­­lhões, respectivamente), ambos do Real Madrid. Além de Diego (Atlé­­­­tico de Madrid), Julio Baptis­ta (Málaga) e Nilmar (Villarreal).

Outro mercado que começa a despontar como um destino para os brasileiros mais valiosos é a Inglaterra. Porém a Espanha segue vencendo a briga. "São duas características diferentes. A Inglaterra tem até a quarta divisão. A Espanha só primeira e a segunda, e por isso maior concentração de poder nos dois principais times", explica o es­­pecialista em gestão e marketing es­­portivo e economista da em­­presa Pluri Consultoria, Fernan­­do Ferreira.

As questões culturais são os principais pontos que ainda apon­­tam para a península ibérica. "Se eu levar uma proposta da Espanha e da Inglaterra para um jogador, com certeza ele vai querer ir para a Espanha. É o que há de melhor, tanto para o atleta co­­mo para o empresário", afirmou Marcos Malaquias, empresário que negociou o zagueiro Henri­que e o atacante Keirrison para o Barça.

Em algumas ocasiões, atuar em uma equipe de menor ex­­pres­­são espanhola pode valer mais. É o que acredita Mala­­quias. "Até em times pequenos, jogar contra o Barcelona ou o Real Madrid acaba pesando muito para o jogador. Tem a facilidade da língua e o futebol é mais parecido com o do Brasil."

Os dados demonstram a atual fragilidade do futebol brasileiro – prova concreta foi o show do Barcelona na final do Mundial da Fifa contra o Santos (4 a 0). Suficiente para uma reflexão. "Há uma sensação clara de que estamos ficando para trás e isso fica nítido ao longo do tempo", lamenta Ferreira.

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