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Política

Ex-dirigentes criticam cisão no Rubro-Negro

Antigos gestores lamentam a instabilidade administrativa no clube e temem por maiores reflexos dentro de campo

Fanáticos encampa “Fora Malucelli” -Um grupo da Torcida Organizada Os Fanáticos, cerca de 300 torcedores, fez ontem passeata para protestar contra a gestão do presidente do Atlético Marcos Malucelli. Empunhando faixas com os dizeres “Fora Malucelli” e “Chega de palhaçada, Copa na Baixada”, os torcedores partiram da Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, em direção à Arena. Apesar de informar no site oficial que o “objetivo do ato não é derrubar e muito menos promover ninguém”, a facção teve o apoio do ex-presidente Mario Celso Petraglia, que não esteve presente – havia, porém, pessoas ligadas a ele no protesto. Procurado pela reportagem, Malucelli não atendeu as ligações | Hugo Harada/ Gazeta do Povo
Fanáticos encampa “Fora Malucelli” -Um grupo da Torcida Organizada Os Fanáticos, cerca de 300 torcedores, fez ontem passeata para protestar contra a gestão do presidente do Atlético Marcos Malucelli. Empunhando faixas com os dizeres “Fora Malucelli” e “Chega de palhaçada, Copa na Baixada”, os torcedores partiram da Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, em direção à Arena. Apesar de informar no site oficial que o “objetivo do ato não é derrubar e muito menos promover ninguém”, a facção teve o apoio do ex-presidente Mario Celso Petraglia, que não esteve presente – havia, porém, pessoas ligadas a ele no protesto. Procurado pela reportagem, Malucelli não atendeu as ligações (Foto: Hugo Harada/ Gazeta do Povo)

Se as coisas não andam funcionando dentro de campo, uma das explicações está no momento conturbado que o Atlético atravessa também na esfera política. Crise que – na avaliação de ex-dirigentes – tem tudo para respingar no time.

Valmor Zimmermann, que foi mandatário atleticano em duas ocasiões (1984-1985 e 1988-1989) é direto. "Está faltando união. Fico preocupado porque o Atlético sempre foi um clube sem muita política, sempre unido, mas mudou há pouco tempo. E isso influencia muito no futebol."

Zimmermann relembra os idos da década de 1980, quando o convívio entre os atleticanos seria mais saudável. "Os conselheiros saíam para jantar, trocar ideias, onde surgiam planos. Agora ninguém se reúne, só mesmo em dia de convocação do Conselho. Não existe mais um convívio para o Atlético", comentou.

As saídas de dirigentes importantes da atual gestão (Ênio Fornea e Yára Eisenbach), aliadas ao retorno aos holofotes do ex-presidente Mario Celso Petraglia, potencializaram a crise de resultados no Campeonato Brasileiro.

Ontem foi organizado um protesto da oposição pedindo a renúncia do presidente Marcos Malucelli (leia mais nesta página).

Situação que preocupa Hussein Zraik (mandatário do clube em 1994-1995). "Nada funciona. A insegurança dos funcionários, diretores, tudo atrapalha. Um começa a trabalhar contra o outro. Parece que vira uma onda de negativismo".

Com a eleição se aproximando, Zraik quer bom-senso e que o Furacão esteja acima de qualquer antagonismo. "O Atlético tem por obrigação unir as alas. Mesmo que não se gostem, precisam pensar num bem maior, na entidade maior, que é o Atlético. Temos de conversar, acalmar todo mundo, acalmar os egos", sugeriu.

Nelson Fanaya, presidente em 1999, analisa o surgimento de algumas alas como fundamentais para o clube, como parte do processo eleitoral. Mas faz um alerta: "Temos de ajudar. Não é o momento de atrapalhar ou crucificar a diretoria, que tem um mandato até o fim do ano", disse, com a ressalva."Um clube que tenha muitos candidatos é muito bom. O Atlético não tem partido, todos são atleticanos, todos podem ser candidatos".

Independentemente de quem concorra no pleito de dezembro, Zim­­­­­­mer­­mann espera que haja uma renovação entre os postulantes. "O tempo passou e tem muita gente do meu tempo ainda. É preciso deixar espaço para que novas lideranças surjam. Em qualquer setor da vida é assim", fechou.

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