
A campeã mundial Fabiana Murer chegou a Guadalajara como favorita absoluta à medalha de ouro, que representaria seu bicampeonato nos Jogos Pan-Americanos. Mas falhou.
Ficou com a prata, ao ser desafiada e vencida pela cubana Yarisley Silva, que saltou 4,75 m, elevando em 15 centímetros o recorde em Pans conquistado por Fabiana há quatro anos. A brasileira ficou nos 4,70 m.
Parecia ser o ouro mais certo do segundo dia de disputas do atletismo no Pan. Mas a paulista de 30 anos teve uma adversária que levou a competição a um nível mundial. A cubana de 24 anos não se intimidou com o currículo e a boa fase da brasileira e a encarou de igual para igual.
Fabiana vinha do título mundial, com 4,85 m em Daegu, na Coreia do Sul. Yarisley já havia surpreendido ao saltar, na mesma competição, em agosto, 4,70 m.
Ontem, levou a melhor. A cubana começou saltando 4,30 m com perfeição. Murer esperou duas horas em meia para que o sarrafo chegasse aos 4,50 m bem abaixo da marca que lhe garantiu o ouro inédito no Mundial. Errou as duas primeiras tentativas. Na terceira, com todas as atenções do Estádio Telmex de Atletismo voltadas para ela, passou.
No desafio seguinte os mesmos 4,60 m que lhe garantiram o ouro e a melhor marca da competição no Pan do Rio-2007 , também começou com erro, enquanto Yarisley seguia sem falhas. "Ela está em ascensão", alertava o técnico e marido de Fabiana, Elson Miranda, sobre a rival.
A brasileira decidiu arriscar subir mais cinco centímetros. Na segunda chance, acertou e estabeleceu o então novo recorde em Pans. A cubana não se intimidou. Pediu 4,70 m. Fabiana passou e ela também.
Nos 4,75 m, a rival teve êxito de primeira. Fabiana, não. Por duas vezes. Estrategicamente, subiu mais 5 cm, sem sucesso. Fim do sonho do bicampeonato.
Depois de conseguir a primeira medalha de ouro para o Brasil em um Mundial, e sem sua principal concorrente nas Américas na disputa, a própria Fabiana admitia o favoritismo. "Achei que 4,70 m era suficiente. E ela fez o melhor salto da vida dela", lamentou após a competição.
Ela não escondeu a frustração após a derrota. O Pan no México não era a prioridade do segundo semestre estava mais focada no Mundial. Ainda assim, se mostrava muito determinada em ficar com o topo do pódio.



