Se o incêndio na Vila Capanema estava ficando fora de controle, a solução encontrada pela diretoria paranista foi trazer um técnico que admite ser uma espécie de bombeiro do futebol. Lori Sandri assumiu ontem o cargo com a missão de salvar o chamuscado Tricolor de algo pior, como o desmoronamento para o grupo dos quatro últimos classificados no Brasileiro.
"Tenho tido a felicidade de ser um bom bombeiro. Espero que no Paraná, um clube do qual gosto muito, possa fazer as coisas acontecerem da maneira que desejamos", disse o treinador, que assinou contrato até o fim do ano, quando haverá eleição no clube.
Aos 58 anos, 28 como técnico, ele invocou a experiência como principal arma para enfrentar o clima explosivo criado pela seqüência de sete jogos sem vitória e cinco sem marcar um gol sequer. A estratégia é domar o fogo aos poucos: "Temos de agir com tranqüilidade. Não chegar aqui e mudar tudo. Transmitir isso aos jogadores é um dos caminhos. O restante virá com resultados, voltar a vencer um jogo dará calma para pensar no futuro."
O primeiro balde de água foi jogado por Gílson Kleina, ao pedir demissão na segunda-feira. "Os seis pontos que precisamos fazer nestas duas partidas em casa (Juventude e Cruzeiro) são fundamentais. E de repente, em vez de apoiar o time, a torcida poderia ficar mais preocupada em pressionar o treinador. Então preferi que o comando fosse trocado. Tem momentos em que você tem de deixar o orgulho de lado", explicou o ex-comandante.
Porém o sucessor deixa claro que uma simples substituição, apesar de motivar a equipe a curto prazo e no caso conter a rejeição da arquibancada , não tem o poder de resolver todos os problemas.
"Temos de entender uma coisa. Só motivação não torna um grupo vencedor. Mudar o técnico pode funcionar por uns três jogos, mas depois percebemos que não é benéfico", afirmou Lori, com a vivência de quem é lembrado quando as coisas não vão nada bem.
Foi assim duas vezes em 2005, por exemplo, quando assumiu o Paraná correndo sério risco de não passar à segunda fase do Estadual, e mais tarde o Atlético-MG, com a árdua tarefa de evitar a queda para a Série B. Em nenhum dos casos conseguiu o objetivo imediato, mas arrumou os times para as competições seguintes. Ou em 1995, quando assumiu o Coritiba após Paulo César Carpegiani jogar a toalha e devolveu o clube à Primeira Divisão nacional.
Ele só não promete mágica. "Não vou pegar uma varinha e transformar o sapo em uma princesa da noite para o dia. Mas, talvez por ter um pouco mais de tempo andando por esse mundo afora, tenho condições de acrescentar algo. E o Paraná, como começou bem o campeonato, é sinal de que tem qualidade", avisou Lori, preferindo seu bom e velho extintor.



