
Zurique O Brasil ganhou ontem o "direito" e a "responsabilidade" de ser sede da Copa do Mundo de 2014, mesmo com as ausências de Pelé, de um orçamento e de garantias de unidade política em torno da proposta. Por unanimidade, o Comitê Executivo da Fifa aceitou a candidatura do país, que organizará 64 anos depois o Mundial. A primeira vez foi em 1950.
Antes de abrir um envelope e exibir um papel com o nome do Brasil, por pura formalidade, já que era a única candidatura, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, fez um típico discurso de estrangeiro impressionado e que contemporiza eventuais problemas do país, como por exemplo a instalação de uma CPI no Congresso, ameaça que tira o sono de cartolas brasileiros. "Não deveria dizer, mas digo que fiquei impressionado", afirmou, referindo-se ao dossiê apresentado pelo comitê organizador do Mundial.
Ao confirmar a 20.ª edição da Copa do Mundo para o Brasil, Blatter lembrou que a Fifa, depois de estabelecer um sistema de rodízios, que caiu na segunda-feira, decidiu que o torneio seria na América do Sul. O dirigente disse que teve a "impressão" que haveria uma competição, mas a Colômbia desistiu de disputar com o Brasil. "Não foi fácil (escolher o Brasil) por causa disso, pois o desafio era o Brasil atingir as condições", afirmou. "Colocamos tudo em nível máximo e deu tudo certo", completou. "Decidimos por unanimidade dar o direito e a responsabilidade para o Brasil abrigar a Copa de 2014."
Na suntuosa nova sede da Fifa, numa região montanhosa de Zurique, personalidades do futebol destacaram a tradição do país cinco vezes campeão mundial ao comentar a decisão da Fifa.
"A Copa no Brasil é como fazer uma peregrinação a Meca, a Santiago de Compostela ou a Jerusalém", disse Michel Platini, presidente da Uefa. "O Brasil deu muito ao futebol. Agora terá a responsabilidade de organizar a Copa", afirmou Joseph Blatter.
Apesar das declarações de euforia, o evento foi repleto de polêmicas e os próximos meses prometem ser intensos nos bastidores da Copa. Enquanto a Fifa fazia festa para o Brasil na Suíça, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) rompeu a imagem que Ricardo Teixeira, presidente da CBF, queria passar de um país unido em torno da Copa e pediu oficialmente a instauração de uma CPI para investigar casos de lavagem de dinheiro.
Segundo Torres, mais de 200 assinaturas de deputados já foram coletadas, mas ele admite que a pressão das CBF pode acabar reduzindo o número de pessoas que apóiem a CPI.
Em Zurique, a CBF conseguiu que o presidente da República, 13 governadores, três ministros e outros políticos estivessem presentes à apresentação da candidatura. Além disso, insistiu que a Fifa vetaria uma CPI e que prejudicaria a campanha brasileira. "CPI é coisa do Congresso. Se as pessoas acham que resolve alguma coisa fazendo CPI, que o façam", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o evento, Blatter ainda revelou que esperava que a Copa ainda fortalecesse o futebol dentro do cenário brasileiro, para frear os jogadores. "Estamos vivendo uma invasão de jogadores brasileiros no mundo. Em Copas futuras, como em 2018, poderemos já ter até seleções só de jogadores brasileiros atuando contra o Brasil. Isso não queremos e esperamos que o Brasil mantenha seus jogadores no país."



