Tensão. Essa é a palavra que melhor define o ambiente do Atlético às vésperas do jogo decisivo na luta contra o rebaixamento, diante do Botafogo, amanhã, às 17 horas, na Arena. O clima pesado tem explicação. Há sete rodadas o Rubro-Negro tinha dez pontos de vantagem para a faixa da degola, agora tem apenas dois.
No coletivo de ontem, na Baixada, ficou claro que a cobrança pela obrigação de bater o Fogo está afetando a todos. Caras fechadas, pouca conversa, jogador que não quis dar entrevista e duras do técnico Antônio Lopes no time e na imprensa.
Ao fim do treino, o Delegado reuniu os 11 titulares no centro do gramado. Ao mesmo tempo, alguns reservas começaram a bater bola em uma das metas. O grito do chefe foi imediato.
"Querem estragar a grama do gol? Não é para bater bola aí", disse o treinador. A decisão do Paranaense juvenil (Atletiba) de hoje pela manhã, já foi mudada da Arena para o CT visando à preservação do gramado, a pedido de Lopes.
Mesmo durante o coletivo, algumas discussões e cobranças entre os jogadores foram acima do normal. Sempre calmo e tranquilo, o goleiro Galatto, aos berros (e com palavrões), pediu para o atacante Wallyson ajudar na marcação. Lopes, muito mais do que ultimamente, esbravejava a cada erro da equipe.
A tolerância zero também apareceu na hora das entrevistas coletivas. O lateral-esquerdo Márcio Azevedo e o meia Paulo Baier passaram pelos jornalistas e não quiseram ser entrevistados. Já o técnico atleticano (assim como o meia Marcinho, o zagueiro Rhodolfo e o goleiro Galatto) respondeu a todas as perguntas, mas ficou extremamente irritado ao ser questionado sobre o pedido para que as câmeras fossem desligadas de um momento do treinamento em diante.
"Não teve nada de treino fechado. Quem fechou tudo foi o Botafogo", respondeu o técnico. "Querem que eu feche o treino todo agora? A gente dá toda a liberdade para vocês (jornalistas) trabalharem e recebe uma pergunta maliciosa dessas em troca", afirmou ainda, antes de entrar no vestiário.
Nos bastidores, comenta-se que a pilha está carregada no Rubro-Negro desde o início da semana. A irritação de Lopes ocorre especialmente pelo gol do Cruzeiro, no último minuto da partida de uma semana atrás no empate por 1 a 1. O risco de queda manteve-se para os momentos finais e motivou até a diretoria a criar uma agenda positiva para a semana mais importante do ano. O problema é que a semana demorou demais para passar.
"Está sendo uma semana demorada mesmo. Mas estamos trabalhando muito e com o único foco de vencer o Botafogo", comenta o diretor de futebol Ocimar Bolicenho, esperando pelo resultado que encerra a angústia da batalha contra o rebaixamento.



