A equipe mais pobre e desorganizada da Fórmula 1 atual aprontou mais uma das suas antes do GP do Japão. Em seu tradicional comunicado de apresentação da corrida, a Hispania não disse quem serão seus pilotos na corrida deste fim de semana, que será disputada no tradicional circuito de Suzuka. Bruno Senna, Sakon Yamamoto e Christian Klien brigam pelas duas vagas.
Não é a primeira vez que a equipe deixa sua dupla de pilotos em dúvida para uma corrida da temporada. Sem verba, a Hispania começou o ano com Bruno Senna e Karun Chandhok. Entretanto, o japonês Sakon Yamamoto, de 28 anos, velho conhecido do chefe Colin Kolles, pagou US$ 5 milhões (R$ 8,8 milhões) em Silverstone e roubou a vaga do brasileiro na prova. No GP seguinte, na Alemanha, foi a vez de o indiano perder o cockpit para o rival endinheirado.
Entretanto, a troca causou problemas para o time. Bruno Senna, Chris Goodwin, seu empresário, Bianca Senna e seus advogados estiveram presentes ao motorhome da Hispania em Silverstone, onde participaram de uma reunião com o dono José Ramón Carabante e o chefe Colin Kolles. O contrato do brasileiro não permite que o piloto fosse substituído nesta temporada, mas as partes chegaram a um acordo. O piloto levou dois patrocinadores para a equipe (a Embratel e o Banco Cruzeiro do Sul), que estão estampados no carro desde a primeira corrida, no Bahrein. Antes do GP no país árabe, não havia certeza nem se a Hispania conseguiria colocar seus carros na pista.
Os pilotos da Hispania voltaram ao centro do furacão na corrida passada, em Cingapura. Na sexta-feira, Yamamoto teria sentido uma forte indisposição estomacal e a equipe decidiu substituí-lo pelo austríaco Christian Klien, que não corria desde 2006, mas tinha experiência em equipes maiores, como a RBR e a BMW Sauber. O veterano superou Bruno Senna com facilidade na cidade-estado, quando o brasileiro cometeu vários erros. O bom desempenho deu margem a mais especulações.
No entanto, o caso de Cingapura continua sem muitas explicações. Informações de bastidores dão conta de que Yamamoto não estava doente. O problema do japonês seria o atraso de uma das parcelas da verba exigida pela equipe pelo cockpit. Klien continuaria como titular no Japão e Yamamoto voltaria ao carro na corrida da Coreia do Sul, que deve ser realizada no dia 24 de outubro. Agora, apesar da confusão em Silverstone, a vaga de Bruno Senna pode estar a perigo.
Ano da Hispania é marcado por "micos"
A trajetória da equipe começou desastrada ainda em 2009, quando se chamava Campos e tinha o ex-piloto Adrian Campos à frente do projeto. O time contratou o brasileiro Bruno Senna e fechou um contrato com a italiana Dallara, que faria o chassi deste ano. Entretanto, eles falharam na tentativa de arrebanhar patrocinadores e os pagamentos à fábrica atrasaram. Por causa disso, ela parou de desenvolver o carro. O trabalho só foi recomeçado em 2010, com muito atraso.
A situação da Campos ficou insustentável e cogitava-se que o time não participaria da temporada. Mas, a pouco menos de duas semanas do GP do Bahrein, abertura da temporada, equipe espanhola anunciou a troca de nome para Hispania e a contratação de Karun Chandhok. Na primeira corrida, a equipe terminou de montar o carro já nos treinos livres e o indiano sequer andou antes da largada, vitimado por várias quebras.
A confiabilidade melhorou, mas o desempenho não. A equipe sempre andou na rabeira do grid, muito longe dos primeiros colocados e das outras equipes estreantes. Seus pilotos sofriam com a bagunça e a falta de dinheiro, que não permitiu que o time desenvolvesse peças especiais para cada prova. Resultado: a Hispania andou em Monza, pista mais rápida do calendário, com o mesmo pacote aerodinâmico das ruas de Mônaco, o circuito mais lento da temporada.



