
Xangai - O GP da China, vencido ontem pelo inglês Lewis Hamilton, da McLaren, foi a corrida mais espetacular dos últimos tempos na Fórmula 1. Em uma rara disputa, outros quatro pilotos lutaram intensamente pela vitória ao longo das 56 voltas em Xangai: o alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, o inglês Jenson Button, da McLaren, o alemão Nico Rosberg, da Mercedes, e o brasileiro Felipe Massa, da Ferrari. Isso sem contar a incrível recuperação do australiano Mark Webber, que largou em 18.º com a sua Red Bull e terminou em terceiro.
Assim, na terceira etapa da temporada, a mensagem foi dada: na nova F1, as ultrapassagens são possíveis e a posição de largada, em circuitos onde há pelo menos uma reta longa, como em Xangai, é menos importante do que manter um ritmo veloz na corrida. Mais ainda: é fundamental acertar a hora do pit stop uma volta a mais ou a menos do pneu pode fazer toda a diferença.
"Eu não acreditei quando alcancei Sebastian. Aproveitei cada segundo da prova, cada uma das muitas batalhas em que me envolvi", disse Hamilton, que não esquecerá a etapa tão cedo. Um problema de vazamento de combustível, detectado um pouco antes da largada, quase o fez partir dos boxes. "Vi os mecânicos trabalhando rápido e procurei passar calma. Apenas perguntei quantos minutos faltavam e me responderam: seis", contou.
O inglês deixou a área dos boxes apenas 30 segundos antes do fechamento. E os técnicos da McLaren concluíram os trabalhos com o carro já no grid. "Diante da possibilidade de nem largar e de dispor de um carro que era um desastre e não conseguia completar 20 voltas na pré-temporada, ganhar hoje [ontem], superar Vettel, me dá uma alegria impensável", disse Hamilton, vice-líder do Mundial, com 47 pontos, diante dos 68 de Vettel, vencedor das duas primeiras provas, na Austrália e na Malásia, que terminou em segundo ontem, após ser ultrapassado pelo rival a cinco voltas do fim.
Atual campeão, Vettel não escondeu a decepção. "Hoje erramos, o que é normal. Eu não larguei bem, usando o Kers [sistema de recuperação de energia, capaz de disponibilizar 80 cavalos extras de potência], e nossa estratégia é algo para ser estudado", admitiu, insatisfeito por não emplacar a terceira vitória seguida.
"Velocidade nós tínhamos, basta ver o que fez Webber", falou Vettel, claramente criticando a escolha da equipe de fazer duas paradas e andar com pneus mais desgastados, enquanto o seu companheiro, com três pit stops, ganhou 15 colocações na corrida. Hamilton também parou três vezes. "Aprendemos muito aqui", completou o alemão, que só utilizou o Kers que não é confiávelnos carros da Red Bull em cerca de metade da prova.
Ele também lamentou ter perdido alguns preciosos segundos ao alinhar o carro para a primeira parada, na 13.ª volta de um total de 56, e ver a McLaren de Button no lugar errado, na sua vaga. "Precisamos rever isso de outros pilotos estacionarem no meu time. Uma Toro Rosso já fez o mesmo", comentou Vettel, lembrando do espanhol Jaime Alguersuari, no GP de Abu Dabi de 2009. O primeiro lugar de Hamilton na China quebrou uma série de quatro vitórias de Vettel nas duas últimas provas de 2010 e nas duas primeiras deste ano. Assim como fez do inglês o primeiro a ganhar a etapa de Xangai duas vezes desde a entrada do GP no calendário, em 2004.
A próxima corrida será na Turquia, no dia 8 de maio, quando as equipes vão apresentar uma nova versão de seus carros, baseada na experiência das três etapas já disputadas em 2011.




