
"O negócio vai estar quente", prevê Bruno Senna antes do GP de abertura da temporada da Fórmula 1 em 2012, amanhã, em Melbourne, na Austrália. A expectativa é justificável. Afinal, além de terem vivido a pré-temporada mais curta de sua história, com apenas 12 dias de testes coletivos, as equipes tiveram pouco tempo de pista seca para acertar seus carros para a etapa inaugural do campeonato, com largada às 3 horas (de Brasília).
Ainda que haja uma certa tradição da primeira corrida do ano apontar o campeão da temporada por nove vezes nos últimos 12 anos, quem venceu o título também conquistou o GP que inicia o campeonato , o pouco desenvolvimento dos carros também costuma embolar as posições e causar algumas surpresas, como lembra o espanhol Fernando Alonso, da Ferrari.
"Na primeira corrida é comum acontecer surpresas. Assim como sempre na metade final do campeonato nos acostumamos ao domínio de uma equipe e as posições estão mais ou menos estabilizadas, a primeira corrida do ano sempre gera alguma surpresa. Ano passado, Petrov fez pódio aqui e, no final do ano, houve corridas em que esteve fora do Q2", afirmou, citando a única vez em que o piloto russo, à época na Renault, ficou entre os três melhores na carreira.
Junto dessa tendência normal dos carros estarem mais nivelados, a menor quilometragem devido à chuva fez com que procedimentos de praxe, como a avaliação das diferenças entre os compostos de pneus, fundamental para a definição da estratégia de corrida, fossem atrapalhadas. E, para piorar o cenário, isto ocorre em um momento no qual a fornecedora da borracha, a Pirelli, fez mudanças a fim de aproximar o rendimento dos pneus macio e duro.
No entanto, como lembra Jenson Button, da McLaren, estão todos no mesmo barco. "São informações úteis, mas você sempre gostaria de mais. Mas é o mesmo para todos. Espero que com a pouca quilometragem encontremos um equilíbrio melhor que todo mundo", refletiu o piloto.
Mesmo com a quilometragem longe da ideal, algumas equipes já perceberam que terão muito trabalho pela frente. É o caso da Lotus de Kimi Raikkonen. Após liderar diversas sessões na pré-temporada, o finlandês reconheceu que o desempenho foi aquém do esperado e revelou problemas na direção assistida de seu carro.
"Ela está funcionando bem em algumas condições e, em outras, tem nos dado problemas. Espero que tenhamos uma nova na próxima corrida e possamos melhorá-la. Vai ser difícil acertar totalmente, mas é possível melhorar." Com o GP da Malásia logo na próxima semana, quem ficar para trás neste domingo na Austrália sabe que não há muito tempo a perder.



