
O Atlético confirmou ontem, no fim da tarde, a contratação do técnico Jorginho, de 47 anos, ex-Portuguesa. Um acerto recheado de trapalhadas e encerrado de forma singular. O novo comandante desembarca hoje em Curitiba, assumindo o cargo imediatamente. O curioso é que o antigo dono da prancheta rubro-negra Ricardo Drubscky não deixará o CT do Caju.
A única manifestação do Furacão surgiu no site oficial: "Ricardo Drubscky, profissional de alto nível e que foi contratado com a intenção de que fizesse parte da equipe técnica do futebol profissional do Atlético Paranaense, permanece no clube". Sobre a continuidade ou não do diretor de futebol, Sandro Orlandelli, outro ameaçado de demissão durante o início da semana, nada foi confirmado.
O Atlético disfarça, mas o fato é que a diretoria sucumbiu à pressão de conselheiros e torcedores, deflagrada pela largada ruim dois jogos, um empate e uma derrota e considerando a inexperiência do mineiro. Mas, por se tratar de uma aposta do presidente Mario Celso Petraglia, o clube preferiu não demiti-lo 15 dias depois de assinado o contrato. A queda foi ensaiada na terça-feira, quando Jorginho chegou a admitir estar perto de assinar contrato, mas esfriou o discurso ao saber que o clube ainda não tinha afastado o treinador.
A próxima função de Drubscky, agora, é uma incógnita. A tendência é de que ele seja realocado na equipe sub-23, composta por jovens, algumas apostas e jogadores não aproveitados no profissional. E sem um calendário fixo de competições, já que disputa apenas amistosos.
Na entrevista que concedeu ontem, Jorginho também não sabia dizer qual seria o destino do agora ex-treinador atleticano. "Não sei, meu advogado que tratou de toda a negociação. Mas o Ricardo é meu amigo, uma pessoa boa. Eu o conheci em 2006, tenho muito carinho por ele", afirmou o novo comandante, ao ser questionado se aceitaria ter o sucessor de Juan Ramón Carrasco a seu lado na comissão técnica.
Além do ex-jogador, o preparador físico Omar Feitosa e o auxiliar Anderson Lima também foram contratados. Sobre a vinda de jogadores para reforçar o elenco, Jorginho adota a cautela. "A gente só sabe o que precisa quando vê com os próprios olhos. Vou analisar. O que eu quero é jogador bom, não interessa se é jovem ou experiente", declarou.
Certo é que ele estará no banco no jogo com o Bragantino, sábado, às 16h20, em Paranaguá. O Rubro-Negro ocupa a 13.ª posição na Série B, com sete pontos em seis partidas disputadas. Seis pontos separam a equipe da zona de classificação para a elite.
"Eu venho para conquistar o título. O torcedor merece, está magoado, sentido. Se um time pensar em ficar em 4.º lugar, fica em 8.º, cai de divisão. Tem de pensar na primeira colocação", avisou Jorginho.
Currículo
Jorginho é o atual campeão da Série B do Brasileiro, com a Portuguesa, título que o Atlético quer neste ano. Na Lusa, ele foi demitido após o rebaixamento no Campeonato Paulista deste ano. Aos 47 anos, o treinador paulistano já passou por equipes como Goiás, Palmeiras e Ponte Preta. Como jogador, foi meio-campista e atuou uma vez pela seleção brasileira. Defendeu clubes como a própria Portuguesa, Palmeiras, Santos, Fluminense e o Atlético Mineiro, além de ter jogado pelo Coritiba em 1994 e pelo Paraná em 1999. Os assistentes que Jorginho traz também têm passagem pelos rivais: o auxiliar Anderson Lima foi jogador do Coritiba e o preparador físico Omar Feitosa trabalhou no Coxa e no Paraná.



