Mesmo com o fim da Copa do Mundo, o Atlético não consegue se desvencilhar de polêmicas em torno do dinheiro usado para reconstruir a Arena da Baixada para o torneio da Fifa. O último entrave envolve além do clube, a Fomento Paraná autarquia do governo estadual que intermedia o repasse do empréstimo do BNDES ao Rubro-Negro e grupo de empresários que trabalharam na obra.
Alegando não ter recebido a última das quatro parcelas do acordo, no valor de R$ 6,4 milhões, o Atlético está devendo para companhias de terraplenagem, locação de máquinas, limpeza e manutenção os responsáveis pelas empresas prometem se reunir hoje, em frente ao estádio rubro-negro, para reivindicar o pagamento dos atrasados.
Porém, em nota encaminhada ontem à Gazeta do Povo, a Fomento Paraná informa que o recurso está disponível desde antes do Mundial, mas que o clube não fez a retirada porque tentava uma revisão no contrato assinado pelas partes.
"A Fomento Paraná informa que os recursos relativos à última parcela do quarto contrato assinado com a CAP S/A. para as obras de reforma e ampliação da Arena da Baixada para a Copa do Mundo continuam disponíveis e serão liberados nos termos das condições estabelecidas em contrato firmado", diz a nota.
O Rubro-Negro queria incluir uma nova cláusula que acabaria com a chamada "integralização dos recursos" da CAP S/A, empresa criada pelo clube para gerir as obras. O item evita a transferência de verba da CAP S/A, voltada exclusivamente para a conclusão da Arena, para outros fins, inclusive o uso nos demais departamentos do clube. Os conselheiros do órgão estadual, porém, se recusaram a alterar o acordo.
Situação que ocorreu em dezembro do ano passado, quando ao diretoria rubro-negra usou R$ 1,5 milhão destinado ao estádio para exercer a preferência na compra de 50% dos direitos do lateral-direito Léo junto ao Vitória o jogador acabou acertando com o Flamengo.
Na época, o Rubro-Negro confirmou a movimentação, mas justificou que a CAP S/A devia ao cofre do clube, que teria injetado dinheiro para manter o cronograma de obras, já que havia atraso no repasse do empréstimo.
Não será a primeira vez que credores vão à Arena cobrar atrasados. No dia 14 de julho um pequeno grupo parou uma faixa da Avenida Getúlio Vargas, em frente ao estádio, com cartazes e gritos de 'falido'.
"Continua a mesma coisa, falam que o dinheiro da Fomento [Paraná] não entrou e que estão esperando isso para acertar. Já estamos com pendências com funcionários e posto de combustível porque não recebemos do Atlético", comentou Paulo Augusto D'Agostinho, dono de uma das empresas de terraplenagem que trabalhou no estádio atleticano.



