
Hoje, a partir das 19h30, a Arena Independência recebe um encontro de Atléticos opostos pela décima rodada da Série A. O Paranaense, dono da menor dívida do futebol nacional, foi rebaixado em 2011, flerta novamente com a área de risco e há quatro anos não comemora um título sequer.
O endividado xará mineiro, por outro lado, curte o melhor momento de seus 105 anos de história. É o atual bicampeão estadual, vice do Brasileiro e, na semana passada, conquistou a principal glória continental.
Campeão da Libertadores pela primeira vez, o Galo tem um passivo 132 vezes maior do que o Furacão. São R$ 637,6 milhões (incluindo endividamento tributário), o quarto entre as equipes da elite apenas Flamengo, Botafogo e Fluminense acumulam mais credores. Segundo o balanço de 2012, o Atlético tem somente R$ 4,8 milhões de dívidas, todas em impostos.
Em empréstimos, o clube mineiro soma R$ 167,9 milhões, quase quatros vezes mais do que os R$ 44,7 milhões que os paranaenses precisam administrar.
Ainda assim, os resultados esportivos são opostos. "O Atlético-MG fez uma aposta e deu certo. O Flamengo, por exemplo, fez a mesma aposta várias vezes e resultou em uma dívida imensa", explica Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria.
A aposta em questão é a política de gastar mais do que se arrecada para fortalecer o time. Entre 2011 e 2012, o endividamento cresceu 13%, o que explica a contratação de jogadores caros como Ronaldinho Gaúcho, Diego Tardelli, Jô, Réver e Victor, vitais para o elenco comandado por Cuca.
Só no último ano, o futebol custou aos cofres do Galo R$ 126 milhões, enquanto a receita total, sem contabilizar venda de jogadores, foi de R$ 151 milhões. Ainda que conte com valores substanciais antecipados de um shopping construído em área arrendada pelo clube, a matemática não se sustenta em longo prazo.
"Se olharmos com uma perspectiva de dez anos, o modelo do Atlético-PR é muito mais eficiente. O Galo poderia ter sido eliminado na Libertadores, colocando o projeto inteiro em risco", diz o consultor de gestão esportiva Amir Somoggi. "Mas eles montaram um grande time e todo trabalho ruim anterior foi esquecido", completa.
Se não sofrer revés em campo, como mais uma queda à Segunda Divisão, o plano de não cometer loucuras no futebol bradado pelo presidente Mario Celso Petraglia pode fazer o Furacão mudar de patamar, crava Ferreira.
"No curto prazo é sofrível, o torcedor não entende. Mas quando se olha de fora é muito claro que estão optando por um bem maior. Poucos vão ter a condição do Atlético, com estádio próprio e rendas só dele", aponta.



