
Há um abismo financeiro entre Atlético e Sporting Cristal, equipes que decidem amanhã, a partir das 22 h, na Vila Capanema, a sobrevivência na Libertadores.
Em valor de mercado, por exemplo, o elenco brasileiro é quase três vezes mais valorizado do que o peruano a diferença é de R$ 70 milhões, segundo levantamento da Pluri Consultoria. A estrutura dos clubes também é díspar, mas em campo a vantagem do empate para não ser barrado à beira da fase de grupos é dos visitantes, que venceram a primeira parte do confronto, na semana passada, em Lima, por 2 a 1.
O Furacão tem o 14.º plantel mais caro entre os 38 times da competição continental, com valor total de R$ 109,2 milhões. A posição é a mais baixa entre os participantes brasileiros, atrás de Cruzeiro, Atlético-MG, Flamengo, Grêmio e Botafogo. Peruano mais bem avaliado, por outro lado, o Cristal tem elenco avaliado em R$ 38,5 milhões, na 30.ª colocação geral.
Nesse caso, a exposição é o fator determinante para a enorme diferença. "Só por jogarem no Brasil, os atletas do Atlético estão em patamar diferente em relação aos outros. É o efeito vitrine", explica o economista e diretor da Pluri, Fernando Ferreira. "Em termos de influência, o Peru está mais perto da Bolívia e da Venezuela do que do Paraguai, que é um mercado intermediário. Se a seleção peruana já perdeu espaço, no caso dos times a situação fica ainda mais nítida. Lá, os clubes estão quebradíssimos até para os padrões brasileiros", acrescenta Ferreira.
La Florida, o centro de treinamentos celeste localizado em Rímac, na região metropolitana de Lima, é outro parâmetro para os rivais na Libertadores. Com quatro campos e estrutura simples e acolhedora mas longe de ser luxuosa , o Sporting Cristal é referência no país.
Nada que se compare com a pujança do CT do Caju e seus dois hotéis e oito campos oficiais que abrigarão a atual campeã mundial Espanha durante toda a Copa do Mundo.
Por isso, evitar o fracasso é obrigação no Atlético. Uma vitória simples basta para isso. "Seria muito negativo [ser barrado antes de a festa começar]. Passar de fase garantiria mais seis jogos, mais alguns meses no noticiário, exposição internacional e torcedores e parceiros comerciais felizes. É entrar na vitrine. Até agora não entrou", resume Ferreira.



