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Petraglia vai levar à Globo proposta de mudança no calendário

Presidente do Atlético vai aproveitar reunião convocada pela emissora com clubes para propor mudanças estruturais no futebol brasileiro

Presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, quer discutir com a Globo mudança no calendário do futebol brasileiro | Albari Rosa / Gazeta do Povo
Presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, quer discutir com a Globo mudança no calendário do futebol brasileiro (Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)

O presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, vai aproveitar a reunião que a Rede Globo convocou com os dirigentes dos clubes da Serie A do Brasileiro para propor alterações na legislação esportiva e no calendário do futebol brasileiro. A emissora é detentora dos direitos de transmissão das principais competições do país e pretende estreitar o diálogo com os dirigentes.

Quarta-feira, a CBF divulgou as datas do futebol brasileiro de 2015 com apenas uma mudança significativa, que é a pré-temporada de 25 dias, com os Estaduais começando em fevereiro - resultado da pressão da própria emissora, já que as partidas em janeiro dão pouca audiência.

"A Globo é a maior financiadora do futebol no Brasil e temos de discutir com ela mudanças estruturais e não apenas paliativas", defende Petraglia.

A série de reuniões entre globo e os dirigentes dos 20 clubes da Série A do começam nessa quinta-feira. Com a audiência em queda, a Globo quer discutir com os clubes propostas para atrair a atenção do público e melhorar o nível das partidas, alvo de muitas críticas principalmente depois da Copa do Mundo.

Mas a emissora também vai ouvir queixas sobre a divisão das cotas de transmissão, sobretudo das equipes de fora do eixo Rio-São Paulo. "A distribuição desse dinheiro precisa ser rediscutida para que não aconteça no Brasil o mesmo que aconteceu na Espanha, onde somente Barcelona e Real Madrid têm chances de serem campeões e o restante dos clubes briga pelas posições intermediárias", disse o presidente do Vitória, Carlos Falcão.

Para o dirigente, não adianta a Globo cobrar "investimento dos clubes na formação de jogadores", como diz trecho do convite feito pelo emissora, se a divisão das cotas não for revista. "É a lei de mercado. Você não consegue competir com os outros clubes quando recebe apenas 10% do valor que eles recebem da televisão, como é o caso do Vitória", criticou Falcão.

Levantamento feito pela consultoria BDO mostra que a Globo distribuiu no ano passado aos 24 maiores clubes do Brasil mais de R$ 1 bilhão. A TV é a principal fonte de receita dos clubes e na última temporada representou 33% do faturamento das agremiações, superando bilheteria, patrocínio e venda de jogadores. O Flamengo, com R$ 110,9 milhões, aparece no topo da lista, seguido do Corinthians com R$ 102,5 milhões.

Com o fim do Clube dos 13, em 2011, a negociação sobre os diretos de transmissão passou a ser feita individualmente e não mais em bloco. E os clubes de maior torcida viram as suas receitas subirem, aumentando as críticas dos pequenos.

Pontos corridos

Uma das propostas da emissora é acabar com os pontos corridos no Campeonato Brasileiro, em vigor desde 2003, e retomar o mata-mata, com a disputa de eliminatórias a partir das quartas de final. Seria uma maneira de, na visão de executivos da Globo, aumentar a audiência.

Os clubes, no entanto, não se mostram dispostos a mudar o sistema da competição. "Fomos convidados pela Globo e vamos ouvir o que ela tem a dizer. Só depois é que podemos nos posicionar", alegou o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil.

Desde o fim da Copa do Mundo a emissora tem procurado se aproximar dos clubes. O diretor Marcelo Campos Pinto tem participado das discussões sobre o Proforte e até sobre a implantação de uma Norma de Conduta e Ética para impedir o assédio de jogadores menores de 16 anos.

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