
O Atlético traçou caminhos distintos para as duas principais revelações do clube. Um foi preservado; o outro, colocado na vitrine.
Em processo de amadurecimento, Marcos Guilherme, 19 anos, fez a primeira temporada como titular do Atlético. Anotou 11 gols e foi o atleta que mais vestiu a camisa do clube em 2014 (47 jogos). Rodagem calculada para acelerar a maturação.
Com a intenção de privilegiar seu desenvolvimento como jogador, o clube chegou a brecar algumas convocações que ele teria para a seleção brasileira de base (sub-20).
Em outra frente, Douglas Coutinho, aos 20, ganhou uma estratégia completamente distinta. Depois de um grande 2012, teve dificuldades em 2013 e voltou a chamar a atenção em 2014. Fez ao todo 39 jogos e marcou sete gols. Era a aposta para se valorizar e ajudar as finanças do Furacão neste fim de ano.
Marcos Guilherme reconhece que teve dificuldades para entender a opção do clube, mas aceitou a decisão tomada pela cúpula atleticana. "Soube assimilar bem isso. Na hora você fica chateado, mas depois pensa que você está jogando uma Série A e eu sabia que isso poderia voltar a acontecer. Foquei meu trabalho no Atlético e com isso a oportunidade voltou" ,diz.
Ele se apresenta dia 26, em Teresópolis, para o Sul-Americano sub-20 (de 14/1 a 7/2), no Uruguai. Fica no Rio até 12 de janeiro quando haverá quatro cortes. O Brasil estreia apenas dia 15 na competição.
O técnico Alexandre Gallo, da seleção júnior, apoiou a decisão técnica adotada pelo Atlético. Para ele, foi interessante para o desenvolvimento do jogador aliar o trabalho do clube com as oportunidades dadas pela CBF.
"O Atlético não o liberou duas ou três vezes, mas nem por isso deixamos de observá-lo. Tem um potencial muito grande", garantiu Gallo, em entrevista por telefone à Gazeta do Povo.
O meia foi convocado junto com Leo Pereira e Nathan para a disputa continental.
Já a carreira de Coutinho foi desenhada nesta temporada com outro viés, bem menos cautelosa.
Mesmo titular em vários jogos pelo Rubro-Negro, o atacante foi liberado para servir à seleção sempre que acionado por Gallo. Seu trabalho no clube, contudo, não teve o retorno esperado de acordo com avaliações internas.
O próprio técnico Claudinei Oliveira relacionou a ida para a seleção com a perda de rendimento do atacante para o time durante o Brasileirão.
"Ir para a seleção é bom, mas em termos de elenco, o Coutinho perdeu treinos importantes na transição. Então é normal que fique atrás dos outros, que foram jogando, foram fazendo gols, foram fazendo a equipe subir na competição", disse ele, em outubro.
Naquela época, Coutinho perdeu a posição de titular no Atlético ao defender a seleção sub-23 (a olímpica) em amistosos no início daquele mês (marcou, inclusive, o gol da vitória sobre os EUA).
Gallo considera que ser titular nos clubes de origem é importante para continuar sendo chamado para a seleção. "Estar jogando é ter um passo à frente, tem-se mais ritmo de jogo e visibilidade até para a nossa análise. É importante cavar o seu espaço para ser visto", comentou.
Na Baixada, Coutinho perdeu espaço e parou de render o que rendia durante aos jogos. Mas a vitrine de vestir a amarelinha surtiu efeito.
Contra o Palmeiras 38.ª rodada do Brasileirão Coutinho fez sua última partida com a camisa do Furacão. Vendido a um grupo de investidores, o atacante rendeu aproximadamente R$ 10 milhões.
Internamente, o Atlético avaliou que o ano com muita rodagem de Marcos Guilherme serviu para amadurecer seu futebol. A ideia é que ele se valorize em 2015, agora com portas abertas para servir a seleção.



