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Brasileiro

Bom Senso FC promete bola parada no fim de semana

Sem resposta da CBF, movimento dos jogadores fala em atrasar início dos próximos jogos e ameaça greve na rodada final

Dois atos do Bom Senso em jogos locais: paranistas cruzaram os braços contra o Sport; coxas com faixa de apoio à causa | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Dois atos do Bom Senso em jogos locais: paranistas cruzaram os braços contra o Sport; coxas com faixa de apoio à causa (Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)
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A 36.ª rodada do Brasileiro inicia hoje sob a ameaça de "ações chocantes" do Bom Senso FC. Cansado de esperar por respostas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em protesto, o grupo deve atrasar o início das partidas em três minutos na 1.ª Divisão.

Três jogos estão marcados para hoje. Dois às 19h30, Vasco e Cruzeiro, Criciúma e Vitória, e um às 21 h, Atlético-MG e Goiás. Os outros sete confrontos ocorrerão no domingo e também devem ter de esperar para a bola rolar.

"Dizíamos, pelas notas oficiais, que as manifestações aumentariam gradativamente enquanto não houvesse resposta da CBF e não houve. Será um pouco mais chocante", declarou à Agência Estado o zagueiro do Corinthians Paulo André, um dos líderes do movimento, ao lado do coxa-branca Alex, do vascaíno Juninho Pernambucano, entre outros.

A atitude atinge, diretamente, um dos personagens mais importantes da discussão: a televisão. A atitude empurraria toda a grade de programação das emissoras, obrigando as atrações posteriores a iniciarem mais tarde do que o costumeiro.

Não haveria impacto financeiro porque as inserções comerciais na tevê não estão amarradas aos horários de veiculação, mas aos produtos, no caso, o futebol. No aspecto jurídico, o Artigo 206 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), cada minuto de atraso pode custar de R$ 100 a R$ 1 mil – valores irrisórios no mundo da bola.

A nova disposição, entretanto, é apenas um aviso para uma medida grave que está por vir. Permanecendo infrutífero o diálogo com a CBF, o Bom Senso FC – organização que congrega mais de mil atletas – cogita detonar uma paralisação geral para a última rodada do Nacional, dia 8 de dezembro.

A greve poderia deixar em suspense as definições de classificação para a Libertadores e rebaixamento para a Série B. Aflição extra para torcedores e prejuízo no planejamento dos times.

Na semana passada, os jogadores cruzaram os braços e fizeram um minuto de silêncio antes dos jogos. Preocupada com a repercussão dos protestos organizados pelo Bom Senso FC, a CBF proibiu os convocados pela seleção brasileira de se manifestarem sobre o assunto. Questionado sobre as ações da classe, Neymar foi vago. "Acho que tudo que for conversado para melhorar o futebol brasileiro é válido, independente do que for", declarou durante a preparação para os amistosos com Honduras e Chile.

O debate envolve também as eleições para a presidência da CBF, prevista entre março e abril, antes da Copa. Vice-presidente de José Maria Marin, Marco Polo Del Nero é o candidato da situação.

Para os dirigentes, os protestos visam desestabilizar a administração atual e favorecer o ex-presidente do Corinthians e candidato da oposição Andrés Sanchez. Votam no pleito as 27 federações e os 20 times da Série A.

Entre os clubes, apenas Santos e Bahia se manifestaram, favoráveis às reivindicações do Bom Senso FC. "Eles não querem assumir risco, por qualquer coisa possa prejudicá-los, ainda mais nestas últimas rodadas do campeonato", disse Paulo André.

Ministro

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, reconheceu ontem a necessidade de mudanças no futebol brasileiro e disse que tem acompanhado as repercussões provocadas pelo Bom Senso FC. Segundo Rebelo, o secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Antônio José Carvalho do Nascimento Filho, vem assumindo a tarefa no Ministério de buscar um entendimento entre as partes envolvidas na discussão. Aldo Rebelo não quis se envolver nessa disputa entre Bom Senso FC e CBF, mas admitiu que é preciso mudanças no calendário do futebol brasileiro. "Há tempos o Ministério aponta que existe uma superexposição de um grupo de clubes e de atletas", afirmou.

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