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Brasil perdeu chance de aprender lição com goleada histórica

Um mês depois da maior derrota da história da seleção, o 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, não há sinal da esperada revolução no futebol brasileiro. Pelo contrário

A seleção brasileira não jogará mais em casa em 2014. Mesmo com 12 estádios novos e de ponta no país, a CBF preferiu manter a estratégia dos últimos anos e anunciou, ontem, o amistoso com o Japão para o exterior, em Cingapura (14/10). Antes, pega Colômbia (Mia­­mi), Equador (Nova Jérsei) e Argentina (Pequim); depois, visita a Turquia (Istambul). Manutenção de um velho hábito na véspera de uma data simbólica.

Hoje completa um mês a maior derrota da história do futebol nacional. O 7 a 1 para a Alemanha varreu o Brasil na semifinal do Mundial em casa e deu a esperança de uma reformulação dentro e fora dos gramados. Trinta dias depois, o balanço indica revoluções que morreram na casca e a sensação de que apenas alguns móveis foram mudados de lugar — a começar pela seleção.

A comissão técnica encabeçada por Luiz Felipe Scolari foi demitida — com uma generosa rescisão de R$ 4,1 milhões para o técnico. A substituição foi tão surpreendente como frustrante. Nada de treinador estrangeiro ou de nomes consolidados no mercado nacional, como Tite ou Muricy Ramalho. O escolhido foi Dunga, o mesmo da Copa de 2010. Acima dele, o coordenador de seleções Gilmar Rinaldi. Ambos com pouca ou nenhuma experiência na função e histórico de atuação como empresário no futebol.

De novo mesmo, apenas a maior proximidade entre as seleções olímpica e principal. O plano da CBF é organizar amistosos das duas equipes nas mesmas datas. Cada convocação passaria a ter 46 nomes, o dobro do atual. Problema em dobro para os clubes, que viram o calendário para 2015 manter as partidas da seleção encavaladas com as das equipes.

Tema de debates desde o outubro do ano passado, o calendário aproveitou mal as seis semanas a mais em relação ao da temporada atual, cortado pela Copa. A pré-temporada será de 25 dias, cinco a menos do que o pretendido pelos jogadores. O Brasileirão seguirá em andamento mesmo durante a Copa América, primeira competição oficial da seleção depois do Mundial.

Na série de frustrações no primeiro mês após o "Mineirazo", até os dirigentes tiveram a lamentar. A redação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Es­­porte (LRFE) aprovada pelos clubes nem sequer foi para votação no Congresso. O governo federal pediu uma semana para elaborar um novo texto incorporando as reivindicações dos jogadores e a matéria vai a plenário depois das eleições. Até lá, os clubes vão conviver com o novo padrão de exigência do torcedor.

"O pessoal está pensando na Copa. Todo jogo agora é ruim. Não estamos mais jogando a Copa. A Copa reuniu os melhores jogadores, os melhores tudo do mundo. A preparação para essa competição é diferente", reclamou Mano Menezes, técnico do Corinthians, após o 0 a 0 com o Coritiba, no domingo.

Uma preparação diferente para um futebol que, ao menos no primeiro mês após sua maior tragédia, continua exatamente o mesmo.

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