
Entrevista com o técnico do São Paulo Muricy Ramalho
Depois de três títulos seguidos, o São Paulo começa o Nacional como um dos favoritos para conquistar o heptcampeonato e manter a hegemonia no futebol brasileiro. Um dos grandes responsáveis é o treinador Muricy Ramalho comandante nas conquistas de 2006, 2007 e 2008. Em entrevista exclusiva por telefone à Gazeta do Povo, o são-paulino falou sobre a dificuldade da competição, deu um parecer sobre a dupla Atletiba e lembrou o título perdido em 2005 pelo Inter.
Você começa o Brasileiro em busca do tetracampeonato seguido, superando assim o técnico Rubens Minelli, campeão em 1975 e 76 pelo Inter e em 77 pelo São Paulo. Acredita que este campeonato deve ser mais difícil do que os outros? Por quê?
Com certeza, nós vamos encontrar mais dificuldade. A cada ano que passa os times se preparam melhor. Antigamente, a maioria das equipes jogava o campeonato regional com um time e depois montava outro para o Brasileiro. Com isso, quando iam ver, acordavam, já era tarde demais. Mas hoje os clubes já vêm com uma base formada dos estaduais, o que faz com que o torneio nacional provavelmente seja ainda mais disputado e equilibrado.
Quais devem ser os principais adversários do São Paulo?
É difícil falar agora nomes de times que vão se destacar. Mas, definitivamente, aumentou o número de equipes que podem competir. Houve um acréscimo de clubes que investiram visando o Nacional.
Como você vê hoje o Atlético e o Coritiba? Eles podem realmente competir pelo título ou devem ser coadjuvantes?
Os dois são times que você sempre tem de ter cuidado. Possuem uma grande torcida, que exige muito dos jogadores e dirigentes. São equipes dificílimas de serem vencidas em Curitiba. Devem ser respeitadas. Se algum dos treinadores conseguir dar liga no time, podem competir sim pelo título.
Em 2005 ocorreu o episódio da volta olímpica do Internacional no Couto Pereira. Afinal, você se considera tri ou tetra?
Eu sou tricampeão brasileiro. Não dei volta olímpica nenhuma. Cheguei a saber que houve uma comemoração em Porto Alegre, mas eu nem participei. Fui direto para São Paulo. Por mais que tenham ocorrido erros, como o negócio do Edílson (Pereira de Carvalho, árbitro que admitiu ter manipulado resultados) e o jogo no Pacaembu (contra o Corinthians, com erro decisivo do árbitro Márcio Resende de Freitas), nós não vencemos aquele campeonato. Apesar de termos sido muito prejudicados, não posso me considerar campeão. O campeão foi o Corinthians. Mas aquele campeonato foi bom porque mostrou o meu trabalho para o resto do país e levou o Inter para a Libertadores.
Depois de três títulos seguidos, você ainda entra motivado para disputar um torneio tão desgastante?
O Brasileiro é o campeonato mais difícil do mundo, no qual de seis a dez times podem ganhar. É uma disputa longa e é complicado manter o foco durante todo este tempo. Além disso, às vezes é preciso remodelar o time porque o clube precisou vender um ou outro jogador. Mas eu sou um treinador que penso sempre no próximo jogo. É claro que eu começo motivado, devido à importância da competição. Só quem já ganhou um Brasileiro sabe como é difícil, mas a recompensa também é muito grande para a carreira do técnico.



