
As bilheterias dos estádios paranaenses sofrem com a ociosidade. A baixa procura de ingressos no dia dos jogos é reflexo do novo perfil que cresce nas arquibancadas: 50% do público no Estadual 2013 é formado por sócios.
A dupla Atletiba puxa a fila da aposta na fidelização dos torcedores assim como da cobrança de valores bem mais expressivos para a compra avulsa. O retorno do Paraná à elite também contribui para a queda porcentual dos ocupantes eventuais.
Nem mesmo o fato de 7 dos 12 integrantes do Paranaense terem mantido os mesmos valores de 2012 serviu para seduzir os fãs de ocasião: a média de tíquetes vendidos nas cinco primeiras rodadas é de apenas 1.334 por jogo (de um total de 2.663 por jogo).
Apenas três clubes majoraram os preços nesta temporada: Atlético (de R$ 60 para R$ 100), Londrina (de R$ 30 para R$ 40) e Operário (de R$ 30 para R$ 60).
Tamanho reajuste, contudo, está sendo revisto nos Campos Gerais. Ontem, um dia após o empate por 2 a 2 com o Rio Branco, o presidente do Fantasma, Laurival Pontarolo, estudava uma promoção para as próximas partidas, apesar de ser o recordista em venda avulsa, com uma média de 4,3 mil entradas negociadas nos dois jogos disputados no Germano Krüger.
"O time é o que motiva o público. Se não tiver resultado, não vem. O torcedor é exigente e se for muito caro vai reclamar. Depois de ontem [domingo] conversei com o pessoal da L.A. Sports [gestora do Operário] para reduzirmos para R$ 40 [hoje custa R$ 60] o valor para quem levar um quilo de alimento no próximo jogo [amanhã, contra o Paraná]", explicou o dirigente, que ainda se considera um privilegiado no Estadual. "Nossa bilheteria corresponde a cerca de 20% do orçamento", contabiliza.
Lanterna do Estadual, o Cianorte nem sequer considera a venda de ingressos como um reforço de caixa. "Nosso estádio tem 2 mil lugares com ocupação de uns 800 torcedores. Contando os custos do jogo, o que se arrecada dá no máximo para pagar um bicho [premiação por desempenho] ou outro", reconhece o gerente de futebol Adir Kist.
Até por isso o Leão do Vale manteve os R$ 20 praticados em 2012 menor valor do campeonato e o mesmo cobrado por Paranavaí, Nacional, Toledo e Rio Branco , com possíveis aumentos em jogos de maior apelo, como contra os clubes da capital.
Já o presidente do Londrina, Cláudio Canuto, afirma que o aumento de R$ 30 para R$ 40 no bilhete para esta temporada é um repasse ao público para ajudar a cobrir os custos de um time mais forte do que o de 2012. "Também tem o fator de querer somar mais sócio-torcedores, mas como não temos ainda calendário para o segundo semestre, não poderíamos subir muito o valor da entrada para o torcedor ocasional", afirma.
A presença dos grandes, entretanto, não é uma segurança para incrementar a venda no dia dos jogos no Interior, aponta o economista da Pluri Consultoria, Fernando Ferreira.
"Os clubes estão fazendo o que sempre pediram para as federações e a CBF fazerem, que era rever o calendário. Como não conseguiram, estão colocando os times sub-23, sub-20 e sub-aquilo para jogar. Estamos brincando de fazer futebol por quatro, cinco meses. E o torcedor não é trouxa e não vai pagar para ver jogadores desconhecidos", comenta, sobre a estratégia do Atlético e o início do Coritiba.
Sem torcedores, Jotinha reduz o valor da entrada
Único clube a reduzir os valores dos ingressos do ano passado para este Estadual, o J. Malucelli não viu a medida surtir efeito em cifras e fãs, mas vê um ganho a médio prazo. O clube baixou de R$ 40 para R$ 30 o preço cobrado na bilheteria. "Estamos empregando todos os esforços para voltarmos a ser um clube simpático como já fomos, algo que se perdeu um pouco por causa da história do Corinthians. Esse esforço passa também pelo preço do ingresso", explicou o presidente de honra do clube, Joel Malucelli. O Caçula conta com um plano de sócios modesto, com certa de 400 participantes basicamente integrantes do grupo J. Malucelli e suas 73 empresas. Não há, contudo, registro de sócios nos borderôs deste ano.







