Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Paranaense

Técnicos ‘bichos do Paranᒠmarcam o Estadual

Sem mercado nacional, grupo de técnicos do PR-2013 ganha fama como “os especialistas” da competição

Lio Evaristo: profundo conhecedor do futebol paranaense | Luciano Mendes/ Gazeta do Povo
Lio Evaristo: profundo conhecedor do futebol paranaense (Foto: Luciano Mendes/ Gazeta do Povo)

Entra ano e sai ano e, invariavelmente, Lio Evaristo está à frente de um clube do Paraná, se preparando para disputar mais um Estadual. Rotina que neste ano encontrou abrigo em Ponta Grossa, no centenário Operário. Não é a exceção, mas o líder de um grupo que faz do Paranaense o seu principal ganha-pão. Gente que se reveza entre si, num emaranhado de idas e voltas, no comando dos representantes locais.

Confira a alta rotatividade de alguns técnicos do estado

Lio é o maior especialista. Dos 12 que disputam a elite do PR-2013, metade já foi comandada pelo treinador de fala mansa. Esboçou um voo mais alto, quando a fama regional, com passagens por Londrina e União Bandeirante, entre outros, o levou às categorias de base do Atlético em 2001. Chegou a assumir o Furacão interinamente, em 2005, mas não passou disso. Voltou a peregrinar pela BR-277 – ou ao começo dela, ao lado do Parque Barigui, no J. Malucelli.

"Não posso dizer que não tive oportunidade. Eu era muito jovem, me faltou um pouco de paciência", diz Evaristo, de 49 anos. "Mas o fato é que sou o que mais conhece o futebol do estado. Há o lado bom, que é não ficar desempregado. Mas o aspecto ruim é que todos me conhecem, não sou surpresa quando os outros treinadores me enfrentam", emenda ele que, no total, já dirigiu 11 equipes do estado.

Experiência semelhante teve Rogério Perrô, 43. Os trabalhos consistentes no interior, especialmente após conquistar o título da Série Prata em 2007 e ser campeão do interior no ano seguinte, ambos pelo Toledo, abriram as portas da Vila Capanema para o treinador. Não vingou. Pressionado pela má posição na tabela do Brasileiro, Perrô permaneceu por 11 rodadas e foi demitido.

"Passei por dificuldades grandes e não estava preparado para tanta responsabilidade, mas essa experiência foi essencial para o meu crescimento ", defende ele que, sem titubear, voltou ao circuito Noroeste-Oeste do estado, com passagens por Paranavaí, Foz e, é claro, o Toledo, sua casa atual. "Não projeto sair. Sei que posso alçar voos mais altos daqui mesmo", ressalta.

O pensamento de Perrô não é a regra. O comum entre os "senhores Paranaense" é o sonho de fazer da rodagem no interior o pontapé para uma carreira em grandes centros – e os salários mais robustos, apesar de nenhum deles reclamar do holerite.

"O Nacional é o meu trampolim para a vitória", brinca Carlos Nunes, 47, otimista com a montagem do time de Rolândia. "Me vejo como um cara vencedor. Não tive oportunidade de me mostrar, mas luto para emplacar o meu nome", explica ele, que já esteve à frente de Foz, Pato Branco, Operário, Serrano e Portuguesa Londrinense.

Aos 40 anos, Cláudio Tencati, do Londrina, tem uma trajetória curta, mas segue esse trilho. Começou em 2006 no Cianorte, passou pelo Paranavaí, foi para Iraty e agora tenta a sorte no Tubarão. "Tenho o sonho de ir para um grande centro, mas hoje estou feliz com a estrutura que tenho em mãos."

José Araújo, o Zezito, 59, responsável pelo Arapongas, tem currículo guardado no armário de pelos menos dez times paranaenses. Ele sabe que, quando um colega perde o emprego, a chance de o celular tocar – e ele aceitar o convite – é imensa. "No futebol, o que vale é o rótulo, não o potencial. Há muitos apitadores de treino por aí. Tem de saber conduzir o grupo, lidar com diretoria, imprensa, torcida...", avisa, dando dicas aos candidatos a rei do interior.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.