
Em apenas três meses, os três clubes da capital viram negociações esbarrarem no departamento médico. Moacir foi devolvido pelo Figueirense ao Coritiba; Giancarlo foi barrado no Alto da Glória e retornou ao Paraná; o Atlético cancelou a contração de Diego Sacoman, da Ponte Preta. A causa alegada para inviabilidade nos acertos foram possíveis alterações cardíacas dos atletas (leia mais ao lado).
INFOGRÁFICO: Veja o que pode causar a morte súbita cardíaca
A ocorrência quase simultânea levou o foco para a vertente esportiva da principal causa de mortes da população em geral de acordo com a Organização Mundial de Saúde: a cardiopatia isquêmica, que podem resultar em angina e infarto.
Todos temas em alta hoje quando se comemora o Dia Mundial do Coração. A data é celebrada pela Federação Mundial do Coração (WHF) e por 189 sociedades de cardiologia espalhadas por mais de cem países desde 1999, no último domingo de setembro, para conscientizar a população para a promoção da saúde e prevenção de doenças cardiovasculares.
"Há 44 anos, a maior causa de morte eram problemas no coração. Hoje, a principal ocorrência de morte continua sendo problemas no coração", resume o cardiologista Costantino Costantini, fazendo o recorte da sua própria carreira, que o transformou em uma referência no assunto.
Neste período, acompanhou a tecnologia evoluir à possibilidade de exames de alta precisão. Mas insiste que um interrogatório exaustivo com o paciente para identificar questões congênitas e hereditárias e um protocolar eletrocardiograma são a base para o diagnóstico de um problema assintomático.
"São doenças absolutamente silenciosas e se o paciente não for submetido a exames não vai saber. O primeiro sinal de alerta pode ser o último", reforça o médico especialista em medicina esportiva Marcelo Leitão, sobre os risco de morte súbita. Na medicina, um indivíduo recuperado de uma parada cardíaca é chamado de "sobrevivente" com toda a força que este adjetivo pode ter.
Apesar do avanço médico, Leitão ressalta que não há nenhum estudo que comprove a maior incidência de casos no esporte. "O que acontece é que são mais noticiados, mas, se for feito um levantamento mais amplo, a quantidade de episódios é a mesma. Não há um aumento. O que existe é mais cuidado e atenção".
Uma tragédia nos gramados transformou há dez anos a maneira como os problemas cardíacos são tratados no futebol brasileiro. "O caso Serginho foi um marco. Muita coisa mudou. Novas diretrizes foram implantadas e procedimentos foram exigidos dos clubes", explicou Leitão, sobre a morte do zagueiro do São Caetano, em outubro de 2004, após um infarto durante um jogo do Campeonato Brasileiro contra o São Paulo.
"Existem casos e casos. É de partir o coração você ter de chegar para um jogador e aconselhar que abandone o futebol. Fiz isso duas vezes este ano com dois atletas profissionais [não revelou os nomes]. Em outras situações, basta um procedimento de destreinamento para alguma alteração ser controlada para ele retomar a carreira completamente", explica.
Os exames não são garantia absoluta de que uma anomalia seja descoberta, pois ela pode não ser permanente. Por isso a necessidade de acompanhamento. Há quem defenda que os testes sejam realizados a cada seis meses, elevando a prevenção como a principal aliada contra novas tragédias.



