Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Justiça

Caso Lusa deixa tapetão paranaense na berlinda

Em meio ao crescente risco de virada de mesa, atos do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná ganham destaque no Estadual

O advogado Nixon Fiori, 38 anos, atuante no TJD-PR | Henry Milléo/Gazeta do Povo
O advogado Nixon Fiori, 38 anos, atuante no TJD-PR (Foto: Henry Milléo/Gazeta do Povo)

O TJD-PR funciona quatro dias por semana. De segunda a quarta-feira, as três comissões disciplinares. Às quintas, o Pleno. É assim de meados de janeiro, quando começa o Campeonato Pa­­ranaense, até dezembro, com o fim das disputas amadoras.Ano passado, um personagem esteve presente em cada uma dessas sessões: o advogado Nixon Fiori, 38 anos, há oito atuando no Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná.

A assiduidade é garantida pela ampla carta de clientes. São 13 clubes profissionais no período, além de equipes amadoras, jogadores, técnicos e dirigentes que o contratam para casos específicos. Tão comum quanto ver Fiori diante dos auditores é o ritual que ele segue após cada sessão.

"Termina o julgamento, ligo para o dirigente de cada clube para passar o resultado. Tem dirigente que fica só esperando o telefonema para saber se não precisa tirar jogador de concentração", conta. "Depois, mando torpedo e faço check-list por e-mail", acrescenta.

A prosaica comunicação por telefone esteve na origem do mais recente imbróglio do futebol brasileiro. Foi por telefone que o advogado Osvaldo Sestário Filho avisou a Portuguesa que o atacante Héverton havia sido suspenso antes do jogo com o Grêmio, na última rodada do Brasileiro-2013. Héverton entrou em campo e a Lusa perdeu quatro pontos que resultaram no seu rebaixamento. A falta de publicação em um site, como reza o Estatuto do Torcedor, levou a briga para a Justiça Comum e deixou uma questão para o futebol doméstico: o Campeonato Paranaense, iniciado ontem, está protegido de uma edição local do caso Héverton?

"O precedente está aí. Se acontecer algo semelhante, certamente os advogados vão se aproveitar e recorrer à Justiça Comum", admite o vice-procurador-geral do TJD-PR, Gílson João Goulart Júnior, que faz uma ressalva: "Mas é uma situação muito excepcional, que só ocorreu porque houve erro de comunicação."

A excepcionalidade do caso é uma das apostas da Justiça Desportiva local para que não se repita o imbróglio. A outra, é a consolidação do sistema de comunicação de penas.

"A Justiça Desportiva é guiada pelos princípios de celeridade e oralidade. Acabou o julgamento, aquela punição passa a valer", diz o procurador-geral Marcelo Contini, que entregou o cargo, mas ainda não tem um substituto. "O CBJD tem a vedação expressa de que se importe regras de outras áreas do Direito. É estranho para quem vê de fora, mas funciona", afirmou o presidente do Tribunal, Leandro Souza Rosa.

O órgão toma outras medidas para evitar furos. Rosa determina que, em no máximo 15 minutos após cada sessão, o resultado esteja publicado no site do Tribunal. Se o julgamento acaba tarde, a postagem é a primeira missão do dia seguinte. As reuniões do Pleno às quintas-feiras dão um dia a mais para a comunicação antes dos jogos no fim de semana – Héverton foi julgado em uma sexta. E mesmo as pautas das comissões disciplinares são distribuídas de maneira a deixar poucos casos em véspera de jogo.

Para o futuro, a entidade prevê aprimorar a informatização do seu funcionamento, o que inclui um sistema de súmula eletrônica dos jogos. A previsão é de que o Estadual de 2015 já tenha este recurso, que permite a publicação dos relatórios poucas horas depois da partida. Um avanço que não deve ter como consequência a divisão da responsabilidade entre clubes e federação sobre o veto ao uso de jogador suspenso – outra demanda nascida do caso Héverton.

"Sou a favor da modernização, mas verificar a situação do jogador é questão administrativa do clube, transferência de responsabilidade. O clube não quer fazer nada? Se o cara quer botar jogador irregular, ninguém vai impedir. Depois arca com as consequências", diz o presidente da Federação Paranaense De Futebol (FPF), Hélio Cury.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.