
Aroldo Fedato passou a vida inteira ao lado do Coritiba. Durante 15 anos de carreira, toda com a camisa verde e branca, saltou de revelação a ícone no clube. Foi sete vezes campeão estadual e se notabilizou pela elegância, liderança e disciplina. Após pendurar as chuteiras, avistava da janela de casa, no Alto da XV, o Estádio Couto Pereira, onde será velado hoje. Aos 88 anos, o ídolo coxa-branca, vítima de complicações respiratórias, deixou uma das mais ricas histórias do futebol paranaense,
A vida inteira de Fedato girou em torno do Estádio Couto Pereira.
Quando trocou Ponta Grossa por Curitiba, meses depois de ele nascer, em 1924, a família do ex-jogador se instalou nas cercanias do campo coritibano, na Rua Sete de Abril. Nos torneios amadores do Alto da XV, como centroavante do Atlanta ou do Itália, chamou a atenção de Altair Cavalli, funcionário do Coritiba que o levou para o clube. Vestiu por 15 anos o uniforme alviverde.
MEMÓRIA: Veja algumas fotos de Fedato
Ao encerrar a carreira, passou a morar em um apartamento na esquina da Ubaldino do Amaral com a Amintas de Barros, com vista para a casa alviverde. A casa onde entrará hoje, pela última vez, para ser velado.
Maior zagueiro da história do Coritiba, sete vezes campeão estadual (46, 47, 51, 52, 54, 56 e 57), capitão do único time que defendeu em jogos oficiais ao longo de quase toda a sua carreira (entre 43 e 57), Aroldo Fedato, o Estampilla Rubia, morreu ontem, em Curitiba, aos 88 anos, vítima de pneumonia. Deixa três filhos, seis netos, cinco bisnetos e uma das mais ricas histórias do futebol paranaense.
"A vida dele se confundiu com a história do Coritiba. Foi uma das figuras mais técnicas que vi jogar. Uma figura extraordinária, líder, homem com capacidade de comando impressionante", diz o jornalista Carneiro Neto, colunista da Gazeta do Povo e companheiro de Fedato na edição paranaense na Grande Resenha Facit, mesa-redonda de televisão no final dos anos 60.
Integrante do Grupo Helênicos, pesquisadores do Coritiba, Guilherme Costa Straube faz uma transposição capaz de traduzir a importância do ídolo às novas gerações de coxas-brancas. "Ele seria um Alex que passou 15, 16 anos no Coritiba."
Em 2012, no lançamento do livro Eternos Campeões, o próprio Alex entrou na fila para pedir autógrafo e posar para fotos com Fedato. No twitter, o capitão alviverde prestou sua homenagem ao antigo capitão. "Muita luz à família do ídolo Fedato nesse momento. Muitas vezes ouvi seu Fedato contar histórias a respeito do Cori. Obrigado por tudo", postou.
Histórias que Dirceu Krüger também ouviu ao longo das muitas conversas semanais com Fedato, repetidas por anos a fio, em caminhadas pelas arquibancadas do Couto Pereira. "Vi muito ele jogar quando era moleque. Em um tempo de muito chutão, era um zagueiro muito técnico. Não era de chutão", conta o Flecha Loira. "Era uma bandeira coxa-branca", complementa.
Fedato não era de chutão. Nem de gols e pontapés. Ao longo da carreira, balançou a rede apenas duas vezes: em um Atletiba, em 1949, e contra o Água Verde, em 1951. O jogo limpo rendeu a ele o Prêmio Belfort Duarte, em 9 de novembro de 1951. Honraria entregue a jogadores com mais de 200 partidas oficiais sem receber punição esportiva pelo período de dez anos. O grande orgulho da sua carreira.
"Ele mostrava o prêmio por orgulho. A Confederação [Brasileira de Desportos, precursora da CBF] dava aos ganhadores do Belfort Duarte uma carteirinha que dava o direito de entrar em qualquer estádio e sentar na tribuna de honra. Ele andava com a carteirinha pra lá e pra cá", conta o jornalista Paulo Krauss, co-autor de Fedato O Estampilla Rubia, autobiografia do ex-jogador.
O apelido de Estampilla Rubia foi dado pela imprensa boliviana, após Fedato defender o Botafogo em uma série de amistosos pelo país, em 1947. A alcunha combinava sua marcação colada no atacante, como um selo (estampilla, espanhol), com seus cabelos loiros. Foi a única experiência internacional dele. A outra, a convocação para a Copa Rio Branco de 1948, possibilidade cogitada pela CBD em um telegrama para Fedato, acabou se tornando a única frustração da carreira de Fedato.
"Ele reconhecia que não foi para a Copa de 50 porque foi muito mal no amistoso do Coritiba contra o Vasco, em 1947, treinado pelo Flávio Costa, que era técnico da seleção. O Coritiba perdeu por 7 a 2 e ele reconhecia como a pior partida da sua carreira", conta Krauss.
O corpo de Fedato será velado no Couto Pereira, hoje, a partir das 7h30. O enterro está marcado para 16h30, no Cemitério Municipal. Em nota, o Coritiba lamentou a morte de um dos maiores ídolos da sua história e decretou luto. Uma história que teve o estádio coxa-branca como casa dos primeiros ao último dia da sua vida.
Fedato, ídolo coxa-branca













