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Alex era idolatrado na Turquia até pela torcida rival, enquanto que Cléo chegou a ser ameaçado de morte na Sérvia | Albari Rosa e Hugo Harada/ Gazeta do Povo
Alex era idolatrado na Turquia até pela torcida rival, enquanto que Cléo chegou a ser ameaçado de morte na Sérvia| Foto: Albari Rosa e Hugo Harada/ Gazeta do Povo

Alex e Cléo levam ao Couto Pereira neste sábado mais do que o talento para poderem decidir o clássico a favor dos seus clubes. Além da experiência no próprio Atletiba — que o rubro-negro não chegou a disputar, apesar de estar no elenco —, ambos vivenciaram exemplos extremos da rivalidade no futebol. Para o bem e para o mal.

Enquanto o meia alviverde reinava na Turquia atraindo admiração até mesmo dos torcedores adversários, o atacante atleticano chegou a sofrer ameaças de morte na Sérvia.

Revelado pelo Coritiba, Alex também encarou os principais duelos nacionais como Palmeiras e Corinthians, Fla-Flu, Cruzeiro e Atlético-MG. Mas viu essas rivalidades "rebaixadas" na comparação à paixão que impera no futebol turco, onde atuou por oito anos.

O jogador vivenciou a mobilização nacional quando os grandes rivais Fenerbahçe, o clube de Alex, e o Galatasaray, se encontram. Em dia de clássico, até mesmo os turcos que moram em outros países, param para assistir ao duelo. Segundo o meia, há ainda a rivalidade continental, já que o Galatasaray fica na parte europeia e o Fener na porção asiática de Istambul.

Ainda assim, o talento de Alex conseguiu transpor tamanho antagonismo. Em 378 jogos com a camisa do Fenerbahçe, Alex marcou 185 gols e fez 162 assistências, com 228 vitórias. O meia conquistou seis títulos e o direito a uma estátua em frente ao estádio do clube.

Apesar de tanta identificação com o Fener, o curitibano sabia que se fosse sair de casa precisaria de paciência para atender tantos fãs, de todas as cores, de todos os clubes. Uma adoração coletiva.

Na sua megalômana despedida em 2011, entre o grupo que invadiu o condomínio onde ele morava para tentar demovê-lo da ideia de rescindir seu contrato ou em meio à multidão que ocupou a pista do aeroporto de Istambul na sua partida, camisa de vários times se misturaram no comovente adeus ao craque.

No lado rubro-negro, Cléo carrega a experiência da rivalidade desmedida. Aprendeu, da pior forma, os contornos étnicos e separatistas herdados pelas torcidas do Estrela Vermelha e do Partizan com a Guerra dos Balcãs, que durou de 1991 a 1995. Muitos integrantes desses grupos estiveram em combate ou fizeram parte de grupos paramilitares durante o período de tensão entre Sérvia, Croácia e Bósnia. Antagonismo levado aos clássicos tanto nos estádios e como nas ruas da capital Belgrado.

Em 2009, Cléo interrompeu um intervalo de 21 anos ao trocar o Estrela Vermelha pelo rival Partizan, despertando a ira dos torcedores do antigo clube. À época, segundo a Uefa, o brasileiro era apenas o 12.º jogador a mudar de rival na história do futebol sérvio. O último atleta que havia feito esse ousado e ‘odiado’ caminho havia sido Goran Milojevic, da então seleção iugoslava, em 1988.

Nem mesmo depois desse intervalo os ânimos se acalmaram. Na sua estreia no dérbi pelo novo clube, um cartaz na arquibancada sentenciava: Maldito Traidor.

Cléo teve o seu perfil na internet invadido, obituários divulgados (com a data da morte no dia em que foi apresentado pelo Partizan)e chegou ao ápice da ira rival ao ser ameaçado de morte. Fãs do novo clube chegaram a se oferecer para ajudarem na segurança do atacante, que era evitado até por outros jogadores brasileiros que atuavam no país por causa do medo de agressões fora de campo.

Ele até tentou não mudar muito a sua rotina, mas evitava alguns lugares públicos, principalmente quando estava com a esposa e o filho então com dois anos, tornando-se, em alguns momentos, refém na própria casa. Hoje Cléo desfruta da calmaria no Atlético e Alex sofre com as cobranças da torcida onde foi formado. Situações que o Atletiba pode mudar.

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