Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
brasileiro 2014

Dilema coxa

Coritiba precisa de tempo para medir os efeitos da reorganização do clube, mas em plena crise técnica tempo é um luxo indisponível

Treino do Coritiba no Couto Pereira: corrida contra o relógio para começar a reação | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Treino do Coritiba no Couto Pereira: corrida contra o relógio para começar a reação (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Reprovado no seu primeiro teste na relargada do Campeonato Brasileiro, o ‘refeito’ Coritiba se depara com um dilema. A intensa reformulação no departamento de futebol exige um período maior para a adequação, mas tempo é exatamente o que o clube não tem.

A derrota para o Figuei­­rense em casa reacendeu as cobranças, aumentou a urgência pela reabilitação e plantou no vestiário pós-jogo o questionamento sobre o que precisa ser feito para a engrenagem – que se esperava estar azeitada após o recesso no Nacional – funcionar o mais rápido possível.

"Precisamos reaver alguns conceitos. Eles são jogadores e têm de saber jogar com o seu torcedor, em sua casa. Erramos neste reinício. Tivemos tempo para trabalhar, nunca demos isso como desculpa e não faremos agora. Fiquei decepcionado, parece que [o time] não trabalhou nada e foi isso que o torcedor viu", disparou o técnico Celso Roth ao analisar os 2 a 0 sob as vaias do público, na quarta-feira.

Ao comandante alviverde coube a responsabilidade de aplicar no elenco algumas mudanças previstas desde o ano passado, como a necessária redução do plantel. Ele decidiu a linha de corte mantendo 30 atletas, considerando esse o número "mais lógico".

Quatro jogadores foram afastados em junho, como o lateral-direito Moacir, o atacante Roni, o lateral-esquerdo Diogo e o meia Jajá – os três primeiros haviam chegado na pré-temporada, ainda sob o comando do técnico Dado Cavalcanti. Jajá, por sua vez, chegou ao Alto da Glória em março.

Nos bastidores, a navalha coletiva deixou um clima desagradável, com a dispensa de 11 profissionais. Assim como no elenco, havia inchaço na comissão técnica, que se despediu do preparador físico Vanderlei Carvalho e dos auxiliares Edson Borges e Zé Carlos. "Como em qualquer empresa, um clube também exige mudanças. A lista já estava definida antes da minha chegada, mas senti por todos que saíram, porque convivíamos, muitos estavam há muito tempo no clube", explicou Antônio Alves Pereira, integrante do G5, o Conselho Administrativo do clube, e substituto do vice-presidente de futebol Paulo Thomaz de Aquino, que pediu demissão no mês passado. Além de questões profissionais e particulares, pesou a impossibilidade de Aquino conduzir o departamento com recursos financeiros limitados.

O setor mais afetado, contudo, foi o departamento médico, com a saída de sete profissionais: os médicos Walmir Sampaio, Braulio Moreira Júnior, Jackson Nascimento; os fisioterapeutas Gustavo Rezende e Raul Furlani; o enfermeiro Gilmar Mendes e o fisiologista Raúl Osieck.

Celso Roth atribuiu à mudança e à redução do elenco a diminuição das lesões. Considerada uma análise óbvia – menos jogadores é igual a menos "pacientes" no DM –, o treinador foi duramente rebatido pelos agora ex-funcionários nesta semana. "A única mudança foi a chegada do fisiologista Altamiro Botino, ex-fisiologista do Botafogo e amigo pessoal do gerente de futebol do clube", cobrou uma carta publicada pelos profissionais demitidos.

O gerente Anderson Barros carrega a carga de promover as mudanças e o consequente mal-estar das demissões. Procurado, ele não atendeu as ligações.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.