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diário de 85

28/7/1985 – Coritiba na final. E Rafael vira santo

No Mineirão lotado, o Coritiba minutos antes de fazer história: Gomes, Almir, Rafael, Heraldo, André e Dida; Lela, Marildo, Índio, Toby e Edson. | Reprodução/Gazeta do Povo
No Mineirão lotado, o Coritiba minutos antes de fazer história: Gomes, Almir, Rafael, Heraldo, André e Dida; Lela, Marildo, Índio, Toby e Edson. (Foto: Reprodução/Gazeta do Povo)

Após Coritiba (duas vezes), Atlético e Londrina (uma vez cada) baterem na trave, o futebol paranaense finalmente estava na final do Campeonato Brasileiro. Façanha alcançada pelo Coritiba, com uma jornada épica no Mineirão lotado. Rafael segurou o grito de gol de quase 80 mil atleticanos – especialmente no arremate de Reinaldo, nos minutos finais, que os mineiros morrerão jurando que a bola foi puxada de dentro do gol – e garantiu o empate por 0 a 0, que levou o Coxa para a final da Taça de Ouro.

Classificação conquistada com a fórmula que marcou o time desde a chegada de Ênio Andrade, ainda durante a primeira fase: solidez defensiva, pouco espaço para o adversário, estocadas perigosas no contra-ataque. Restava apenas um degrau para o Coritiba alcançar a taça de campeão nacional: bater o surpreendente Bangu, no Maracanã.

O que eles disseram

Um time que venceu o Flamengo no Maracanã, o Goiás no Serra Dourada, o Joinville em Joinville, o Cruzeiro no Mineirão, o São Paulo no Morumbi, merece chegar à final

Rafael goleiro do Coritiba.

Foi o jogo mais tenso que disputei em minha carreira. Tensão mesmo foi no finalzinho, naquela falta batida pelo Nelinho e que teve até replay. Foi demais mesmo.

Toby meia do Coritiba (o árbitro mandou voltar a falta em questão).

Este é um momento histórico, pois o Coritiba acaba de provar que é forte. É sua afirmação definitiva no cenário brasileiro. Há muita coisa em jogo, muita coisa extracampo que nem é preciso falar.

Gomes zagueiro do Coritiba.
Carnaval verde e branco em Curitiba

Ainda faltavam três minutos para o jogo acabar no Mineirão, mas a torcida coxa-branca não quis nem saber de esperar o apito final. Aos milhares, foram tomando as ruas da cidade. A XV era o centro nervoso da comemoração, mas também pelo Alto da Glória, Tarumã, Boqueirão, Hauer... Com a bandeira do time em uma mão e uma cerveja na outra, comemoravam não só a classificação do Coritiba para a final, como também a vaga na Taça Libertadores da América – primeira participação do futebol paranaense no prestigioso torneio continental.

E que venha o Bangu

O Coritiba mediria forças com um carioca, dentro do Maracanã, pelo título brasileiro. Na semifinal das zebras, o Bangu derrotou o Brasil de Pelotas por 3 a 1 – gols de Ado e Marinho (duas vezes) para os alvirrubros; Bira marcou para os gaúchos de Pelotas.

O mundo além do futebol

No Paraná

Por 172 votos a 155, Roberto Requião vence a convenção do PMDB e é o candidato do partido à prefeitura de Curitiba.

No Brasil

O presidente do Banco do Brasil, Camilo Calazans, garante que nenhum agricultor brasileiro ficará sem financiamento para a safra. A declaração é uma maneira de acalmar os produtores rurais, que planejavam bloquear agências do BB enquanto não conseguissem melhor condição de financiamento.

No mundo

Primeiro-ministro de Portugal por três períodos depois da Revolução de 74, o socialista Mario Soares era indicado pelo seu partido para concorrer à presidência do país.

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