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diário de 85

7/7/1985 – Lela decide contra o Corinthians

Lela manda pra rede após a casquinha de Edson: vitória suada sobre o bilionário Corinthians | Rubens Vandressen/Gazeta do Povo
Lela manda pra rede após a casquinha de Edson: vitória suada sobre o bilionário Corinthians (Foto: Rubens Vandressen/Gazeta do Povo)

“A guerra só começou.” O desabafo de Ênio Andrade no vestiário do Couto Pereira deu a dimensão da dificuldade e da vitória do Coritiba sobre o Corinthians. Um apertado 1 a 0 obtido por um time mais organizado taticamente que o estrelado adversário, que pôs o Coxa na vice-liderança isolada do grupo e dependendo apenas de si para avançar à semifinal da Taça de Ouro.

Índio e Lela trocam de posição para decidir o jogo

Uma troca de posições de orgulhar os treinadores modernos decidiu o jogo no Couto Pereira. André saiu da lateral direita para o meio, de onde puxou o contra-ataque e tocou para Índio. Aberto pela direita como um ponta, o camisa 9 coxa-branca fez a jogada de fundo e chuveirou para os dois baixos e rápidos ponteiros alviverdes. Edson cabeceou e Lela mandou para a rede.

Eram 11 minutos de um jogo em que Ênio Andrade manteve o meio-campo reforçado com o marcador Marildo no lugar do ofensivo Marco Aurélio. “Ele é ótimo, utilíssimo. Não joga futebol para a torcida bater palma, mas marca ninguém, combate e é importante a qualquer esquema tático”, derreteu-se Ênio, ao falar sobre Marildo.

FOTOS: No blog Memória FC, uma seleção de imagens de Coritiba 1 x 0 Corinthians

Bom público, mas sem casa cheia

A expectativa do Coritiba de lotar o Couto Pereira foi apenas parcialmente atendida. Ao todo, 25.162 torcedores pagaram ingresso – bem menos que a carga total de 62 mil entradas disponibilizada pela Federação Paranaense de Futebol. A arrecadação de 255,8 milhões de cruzeiros (o equivalente a R$ 424,6 mil) também ficou abaixo dos estimados 300 milhões de cruzeiros. A mudança do jogo para 18 horas, para atender a um pedido da televisão, foi apontada como responsável pela renda menor.

O bilionário Corinthians ficou devendo

O Corinthians investiu todo o dinheiro da venda de Sócrates – 3 bilhões de cruzeiros, ou R$ 5 milhões – na montagem do time para o Campeonato Brasileiro. Ao menos contra o Coritiba, cifras que não se transformaram em bom futebol, como atestam as notas e avaliações dos astros alvinegros feita pela Gazeta do Povo.

Juninho (zagueiro da seleção brasileira na Copa de 1982) – Não é mais aquele. Só dá pau e está sempre fora do setor, facilitando a penetração dos adversários. Nota 5

De León (campeão mundial pelo Grêmio e capitão da seleção uruguaia) – Completamente fora do jogo, estando aquém daquele zagueiro da seleção uruguaia e do Grêmio. Nota 4

Wladimir (ícone da Democracia Corintiana) – Péssimo. Não sabe marcar, está sempre fora do setor e dá espaços para as jogadas com os ponteiros contrários. Nota 3,5

Dunga (o próprio, então uma revelação do futebol brasileiro) – Está longe de ser aquele grande volante da seleção brasileira de juniores. Entrou no ritmo do futebol ruim que o Corinthians vem praticando nos últimos tempos. Nota 5

Casagrande (titular da seleção brasileira nas Eliminatórias da Copa de 86) – Catimbeiro, desleal e muito presunçoso. Quando perdia as jogadas, batia nos adversários pelas costas, contando para tanto com a ajuda do péssimo árbitro que foi ontem José Roberto Wright. Nota 4

Serginho Chulapa (titular da seleção brasileira na Copa de 82) – Péssimo, estando em fim de carreira. Nota 3

O mundo além do futebol

No Paraná

Com 30% de abstenção, o PMDB realiza sua convenção estadual. É o primeiro passo do partido para definir sua posição na sucessão do prefeito (Maurício) Fruet, em 1985, e do governador (José) Richa, em 1986.

No Brasil

O chefe da polícia de São Paulo, Romeu Tuma, viaja para a Alemanha Ocidental com o que seriam os restos mortais do médico Josef Mengele, que atuava a serviço dos nazistas no campo de concentração de Auschwitz. Especialistas de Frankfurt realizariam exames para ter certeza de que se tratava de Mengele. O corpo havia sido exumado um mês antes, em São Paulo.

No mundo

Sob forte escolta do Exército, 35 milhões de mexicanos vão às urnas eleger 400 novos nomes para a Câmara dos Deputados do país. A grande dúvida é se o Partido Ação Nacional, então havia 56 anos no poder, conseguiria manter a maioria no legislativo.

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