“30 anos de uma estrela” revive final entre Coritiba e Bangu
Jogadores campeões do Brasileiro pelo Coxa em 1985 contam os bastidores da decisão nacional que levou mais de 100 mil pessoas ao Maracanã.
+ VÍDEOS00h38 de quinta-feira, 1º de agosto de 1985. O zagueirão Gomes chuta, quase reto, e a bola balança o barbante do Maracanã. Gilmar, goleiro do Bangu, salta o lado certo, mas não impede o gol. Há 30 anos, o Coritiba era campeão brasileiro.
Caneco conquistado em período de transição política no país, que deixava a ditadura para trás e elegia o primeiro presidente civil, Tancredo Neves. Situação que rendeu ao Coxa a condição de “primeiro campeão da Nova República” e a primeira participação de um clube paranaense na Libertadores da América.
“Não era para eu bater o pênalti. Mas o destino me escolheu por causa da experiência. O sangue frio prevaleceu”, relembra Gomes, capitão da equipe coxa-branca e único jogador do elenco que já havia sido campeão nacional (em 1978, pelo Guarani).
Minutos antes, o alvirrubro Ado havia desperdiçado a primeira cobrança da série alternada – após o 1 a 1 no tempo normal e o 5 a 5 na marca da cal. O chute para fora emudeceu o estádio repleto de torcedores do Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. O público pagante foi de 91.527 pessoas.
Acredito que foi a única vez que os torcedores do Rio se uniram. Todos juntos para ver o Bangu. Mas não teve jeito, conseguimos superar tudo isso.
Foi o desfecho de uma campanha iniciada em janeiro, com a vitória sobre o São Paulo (3 a 1), no Couto Pereira. Ao todo foram 29 partidas, com 12 vitórias, sete empates e dez derrotas, 25 gols marcados e 27 sofridos.
A marca do nosso time sempre foi a parte tática. Éramos muito forte coletivamente. Tudo graças ao nosso treinador, Ênio Andrade. Ele foi o craque daquela conquista, quem soube nos levar até o título
Seu Ênio, como era chamado por todos, substituiu Dino Sani na quarta rodada. Desembarcou com a experiência de seus 57 anos e o currículo de bicampeão brasileiro, no comando de Internacional (1979) e Grêmio (1981).
A parada para a disputa das Eliminatórias pela seleção brasileira, entre maio e junho, foi fundamental para o ajuste do time. Um conjunto firme na defesa e mortal nos contra-ataques, especialmente nos confrontos fora de casa.
Outro personagem sempre destacado é o presidente Evangelino Neves. Mesmo com a grana curta, o Chinês soube montar uma equipe mesclando jovens promessas (Dida, Toby e André) com boleiros rodados (Gomes, Almir, Marco Aurélio e Rafael).
“O Chinês era malandro e jogo duro. Foi importante em todos os aspectos, soube controlar os atletas nos momentos difíceis e trabalhar nos bastidores da cartolagem”, conta o goleiro Rafael.
O camisa 1 é o grande herói da conquista alviverde. Ao longo das três décadas que se passaram, é cultuado pela torcida, especialmente pelos mais velhos. Mesmo tendo vestido a camisa do rival Atlético (antes e depois do título).
O que o Rafa tinha de rabugento, tinha de talento. Foi importantíssimo para o nosso título, sem dúvida alguma. E eu nunca tive problema com ele, pelo menos não no Coritiba
Revelado pelo Corinthians, o paulista carregava a pecha de temperamental. No Alto da Glória, virou o São Rafael graças às defesas que renderam o título inédito. Especialmente no empate por 0 a 0 com o Atlético-MG que rendeu a vaga na decisão.
“Foi o melhor desempenho da minha carreira. Fechei o gol no Mineirão. Mas na decisão eu também fui bem. Estava no meu auge”, declara o arqueiro marcado também pelo visual, até hoje de cabelos compridos e bigodão estilo mexicano.
Passados 30 anos, boa parte dos jogadores do Coxa da época considera o título como o maior momento vivido na carreira.
Sem dúvida alguma, foi o grande momento da minha vida no esporte. Sou muito feliz por ter ajudado a bordar a estrela dourada na camisa do Coritiba



